Carlos Oliveira Perante a incerteza quanto ao futuro do futuro governo em Portugal, todos procuram puxar a brasa à sua sardinha. Mas quem, na minha opinião, está longe da realidade são os comentadores e os políticos de direita. Sabemos por experiência que o chamado arco de governação deu muito pouco a um Portugal carente de políticas capazes de romper com o marasmo, com a mentalidade da subsidio-dependência e do compadrio entre as suas famílias políticas. Portugal ao longo dos anos nunca foi capaz de caminhar no sentido de uma melhor distribuição da riqueza criada. Aliás, nos últimos anos essa diferença acentuou-se. Ora, a histeria daqueles que defendem a continuidade da política vigente demonstra que têm medo da mudança. Mas também acham que os portugueses estão obrigados a seguir os ditames de uma Europa que está longe dos interesses dos povos. É óbvio que este PS não nos dá garantias de alinhar em grandes mudanças. É óbvio, também, que o PC e o Bloco precisam de assentar os pés na terra... Todavia, só os que se opõem ao progresso das sociedades é que se agarram ao passado, fazem do medo profissão e promovem o ódio ao que é novo. Em suma, um governo de esquerda tem riscos. Mas Passos, Portas e Cavaco estão esgotados no que diz respeito a políticas para alterar o rumo de empobrecimento de Portugal.