A situação política que se vive presentemente corresponde à expectativa que se criou logo após os resultados eleitorais de 4 de Outubro último. O bom senso que tanto se proclamou em defesa dos interesses superiores do país, acabou por não prevalecer e gera-se toda esta instabilidade governativa que não acabará tão cedo apesar de querer insinuar-se que será viável com um outro cenário de governação. Demonstra-se assim, e não é de agora, que a ânsia pelo poder é ilimitada e que tudo se faz para o conseguir mesmo contra princípios ditos inegociáveis ou intocáveis. As discrepâncias políticas profundas que sempre pautaram determinadas forças políticas nunca poderão ser conciliáveis porque ferem os tais princípios que defendem e que foram uma constante na campanha eleitoral. A tendência ideológica que nos tem sido quase imposta ao longo deste período após o 25 de Abril de 1974, consequência imediata da ditadura que governou o país durante muitas gerações, que apela que agora só deva existir esquerda, como única terapia para todos os males existentes, confundindo-se conceitos e aprofundando preconceitos que os tempos de hoje se revelam caducos e que a história tem vindo a provar perante a evolução que atravessamos no domínio tecnológico que nos tem permitido um melhor acesso ao conhecimento, à informação, às técnicas de produção, à ciência, ao cosmos que pertencemos, eliminando determinados dogmas que durante anos pareciam intocáveis. Os fenómenos que hoje assistimos no nosso mundo, cada vez materialista e oportunista, expressado na crise migratória mais grave dos últimos anos, põe a nu a fraqueza humana e sua cada vez maior impreparação para lidar com o real e continuar a divagar pelo idealismo. Necessitamos urgentemente de um novo pensamento filosófico adequado ao tempo que vivemos que nos tire destas amarras e que nos conduza a nossa verdadeira dimensão a, de Humano. Precisamos é de políticas que defenda a pessoa que nos conduza a um bem-estar cada vez maior e para alcançarmos esse desiderato é imprescindível encontrar pontes que nos permitam atravessá-las com segurança, com confiança, com realismo, com crença num amanhã melhor, mais riqueza para distribuir, mais emprego, mais fraternidade, mais política social perante as nossas fraquezas, falta-nos dinheiro, as nossas dependências, os compromissos assumidos e as nossas vulnerabilidades, economia débil.
José Manuel Oliveira