A Direita (PSD/CDS) perdeu, por vontade do povo, a maioria dos deputados na Assembleia da República e quer manter, pela Secretaria, aquilo que perdeu em mandatos e em votos. O povo português foi claro em dar a maioria dos deputados às forças de Esquerda e, como o primeiro-ministro e o governo emanam do Parlamento – de acordo com a Constituição – estão criadas as condições para a constituição de um governo alternativo que, no período de uma legislatura, devolva o que foi roubado em salários e pensões e corte com as políticas de sacrifícios impostas a milhares de pessoas no nosso país e na região. Vendo que o fim da sua governação está próxima, a Direita (PSD/CDS) anda histérica e vai agitando fantasmas sobre o “caos da futura governação”, com o apoio da Esquerda. Falam no PREC, retiram esqueletos do armário e ressuscitam teorias da conspiração que parecem baseadas nas caças às bruxas em tempos da Inquisição. Por cá, agitam “o perigo de liquidação do Centro Internacional de Negócios” (?!) quando sabem que este dossier não faz parte das negociações e que, tendo deixado de ser uma zona off-shore, todos defenderemos regimes fiscais favoráveis, que criem postos de trabalho efectivos e deixem impostos e riqueza na Madeira. Isso não quer dizer que não se tenha que reforçar o combate à fuga e evasão fiscal – para evitar situações como aquela que ontem foi noticiada pelo DIÁRIO, de uma empresa que não pagou milhares de euros de IVA – e de se apertar no combate a todas as situações que configurem práticas potencialmente criminosas. Não vale a pena, portanto, virem com esse delírio: não está em causa o CINM, enquanto Centro gerador de postos de trabalho efectivo e fonte geradora de impostos e de riqueza. Agora, não nos peçam para não apertarmos na fiscalização, na criação de mecanismos de combate à fuga e evasão fiscal e às práticas criminosas que possam vir a ocorrer. Só assim estaremos a defender a Madeira e os madeirenses. Mas de que tem medo, então, a Direita?! Tem medo de perder o poder e tem medo que se descubram outras maningâncias e falcatruas escondidas que andaram a fazer neste últimos anos. Têm medo que os portugueses percebam, afinal, que há mais vida para além “do arco da troika” e que o “arco da governação” já não é o que era. Mais: têm medo que os portugueses experimentem outras alternativas e que descubram, enfim, que não estamos condenados ao rotativismo da inevitabilidade e que é possível implementar políticas que priorizem as pessoas acima dos lucros. Perguntar-me-ão se será agora o tempo “de fazer a Luta Toda” e de aplicar um Programa de ruptura com todas as práticas que impedem a construção de um Mundo Novo. Não! Ainda não é possível! Mas é, certamente, o primeiro passo! E as gerações vindouras não nos perdoariam se perdessemos esta oportunidade!

Roberto Almada Coordenador do BE