Aquilo que já foi um espaço de ensino, cultura e uma universidade para milhares de madeirenses, principalmente os oriundos das zonas rurais, é agora um prédio devoluto, abandonado e em degradação. Numa altura onde paira no ar a teoria da conspiração pela vinda de refugiados, que serão recolhidos em ‘condições especiais’, enquanto os madeirenses sem-abrigo dormem por tudo quanto é sítio, lanço um desafio aos responsáveis da igreja católica madeirense e ao governo regional para que criem uma pareceria e transformem o antigo Seminário Menor da Encarnação num centro para aqueles que não têm lar. Há bons exemplos de parcerias entre o GR e instituições religiosas que funcionam em pleno. Com conhecimento de causa dou como modelo o Abrigo de Nossa Senhora de Fátima, em Santo Amaro, que pertence às Irmãs Dominicanas, mas que presta um grande e exemplar serviço aos jovens de ambos os sexos que ficaram privados da protecção e direitos no seio familiar. Sei que existem outras instituições do género espalhadas pela região que são boas casas de acolhimento para jovens desprotegidos mas vou falar do que sei e do que já pude constatar ‘in loco’: O Abrigo de Nossa Senhora de Fátima é um bom exemplo para que foi estatutariamente constituído e onde os jovens vão encontrar regras, educação, integração e valorização da pessoa humana para além de um verdadeiro ambiente familiar. Todos nós sabemos que há várias instituições de solidariedade social e gente anónima que se preocupam com os sem-abrigo, levando-os conforto e comida mas falta um abrigo onde possam pernoitar. Também é sabido que muitos dos sem abrigo preferem andar ao relento do que terem um lugar condigno para pernoitar. Mas cada caso é um caso… Governo e igreja têm em mãos um problema que poderiam atenuar em grande escala, com a igreja a ceder o espaço - que poderia ser temporário - enquanto o GR custeava as obras de beneficiação e restauro. Nestas instalações, devidamente remodeladas, os sem-abrigo poderiam se sentir mais úteis com a posterior integração na sociedade. Em todo o mundo há sem abrigos, nos países ricos e pobres, mas a Madeira podia ser pioneira na resolução deste flagelo da sociedade e que a todos nos toca. Noutro contexto, ‘sem-abrigo’ parece ter sido a equipa do Sporting que se deslocou a Albânia para defrontar uma formação modesta e onde se exigia outro desempenho e resultado. Jorge Jesus precisa, tal como Bruno Carvalho, de um banho de humildade pois a arrogância tem limites e muitas vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Frente à equipa do Skenderbeu o treinador do Sporting voltou a ‘inventar’, fazendo excessivas rotatividades no onze basilar como se ainda estivesse na pré-temporada para fazer experiências. Em vez de uma vitória prestigiante o Sporting e o futebol português foram humilhados. Pior que assumir os erros e fazer mea culpa, o treinador do Sporting veio a terreiro criticar os seus jogadores, imitando Bruno de Carvalho na época passada em Guimarães onde após a derrota criticou os atletas. Jorge Jesus anda a apostar fortemente no título descorando outras competições que dão fama, dinheiro e prestígio. Vou esperar para ver se falhar a Liga NOS o que vai acontecer nos corredores de Alvalade.

Miguel Justino Repórter