A igreja católica procura enaltecer os que reconhece como Santos, dedicando-lhes um dia no ano. Tenho a percepção que a sociedade, no geral, tem adoptado práticas semelhantes, com dias temáticos - do idoso, da mulher, da criança, do avc, do vizinho, europeu sem carros, entre outros – como forma de enaltecer causas.
Lembrei-me do quão interessante seria o DIA POSITIVO, dedicado ao engrandecimento de actos positivos. Cada cidadão dedicaria esse dia à expressão de aspectos positivos, seja quanto a políticas seguidas, práticas empresariais ou até no desempenho de um colega, chefia ou vizinho, felicitando o que lhe estivesse mais próximo por determinado facto ou acto positivo praticado. Nesse dia, aos jornais, tvs e rádios ficaria vedada a proliferação de notícias catastróficas ou negativas, sem que se apregoasse que a liberdade de imprensa era posta em causa, sendo notícia apenas factos e aspectos positivos da nossa sociedade. As organizações sindicais substituiriam os discursos reivindicativos e inflamados pelo enaltecimento das virtudes do patronato. As oposições abafariam o discurso negativo e fácil do bota-abaixo com o reconhecimento dos factos positivos dos que exercem o poder. Os críticos surpreenderiam, reconhecendo as virtudes dos que os rodeiam, e desta forma todos sentiríamos a reconfortante sensação e o bem que nos faz a atitude positiva e construtiva. Na falta de dia melhor, o 4 de Outubro poderia ser o Dia Positivo.
Para a sociedade portuguesa seria a irónica eternização do 4 de Outubro de 2015, dia em que os resultados eleitorais possibilitaram a união de um conjunto de derrotados, que apregoando a sua consciência, maturidade política e respeito pelos que votaram nas minorias que representam, procuraram impedir os vencedores de exercerem o poder ainda que condicionados pela necessidade de negociações permanentes com os demais. Negou-se o que outrora era apontado como virtude do sistema democrático fomentando-se o regresso ao voto-util, para evitar futuros assaltos.
Rui Gomes Coelho