Nos finais do século XIX, já o sociólogo francês Emile Durkhein concluiu que as estatísticas demonstram que durante as crises económicas e os períodos de recessão as taxas de suicídio aumentam. Apesar de ser um estudo antigo, mantem-se como sendo atual, bastando para tal ler as conclusões de dois estudos recentemente apresentados pela ASPP /PSP sejam tidas em conta em futuros programas governamentais.
De acordo com esses estudos os “agentes da PSP vivem menos 11 anos do que a restante população, apresentam uma maior prevalência de perturbações mentais e são sujeitos a violência física e psicológica durante o serviço e fora dele”. Além disso, o mesmo estudo revela que “63% das mortes de agentes no ativo resultam de suicídios - a principal causa de morte não natural dos polícias”.
Por tudo isto, a profissão de polícia é reconhecida mundialmente como uma das que se encontra em mais risco de vir a ter comportamentos suicidários. Nas polícias, o suicídio, é um problema que a ASPP considera dramático, porque todo o profissional de polícia tem uma arma e num momento de desespero pega na arma e é muito mais eficaz, daí que a nossa associação considera a importância de prevenir os sintomas, porque o polícia em stress tem um acesso fácil as armas, o que não acontece tão facilmente noutras profissões num momento de desespero no trabalho.
Os polícias encaram pessoas que também lidam com mais dificuldades e se tornam mais rigorosas e, também por isso, vão deteriorando do ponto de vista psicológico, pois diminui a realização profissional e a motivação para as tarefas, aumentando a exaustão emocional. A ilusão com a rotina da profissão é um dos pontos que provavelmente deprime todo o profissional de polícia recém-ingressado na corporação, isto porque quando estamos na Escola Prática de Polícia, vivemos um mundo cheio de coisas novas, mas quando se começa a trabalhar, já não existe todo esse dinamismo.
A subida alarmante do número de suicídios nas Forças e Serviços de Segurança nos últimos tempos, deveria de tirar o sono aos responsáveis pelas políticas de prevenção aos suicídios, mas a ASPP/PSP receia e suspeita que não tira. Mas deve, antes de mais, ser uma preocupação de toda a sociedade, na medida em que os custos físicos, emocionais e económicos são partilhados por todos nós.
Para tentar ajudar a travar este fenómeno, embora a Direção Nacional da PSP tenha um gabinete de psicologia com algumas equipas de psicólogos, na verdade, não chega para as “encomendas” e são os sindicatos a substituir as vezes o papel do estado, disponibilizando apoio psicológico a todos os associados.
Já não basta dizer CHEGA, é preciso agir. Os suicídios na PSP continuam numa espiral que parece não ter fim ao respeito pelos homens e mulheres que diariamente lutam pela segurança de todos os cidadãos, há muito que se perdeu e tudo perante a passividade de algumas entidades com responsabilidade, em que para a ASPP/PSP é uma situação lamentável a todos os títulos que se espera venha a merecer a devida atenção ao atual Ministro de Administração Interna.
Adelino Camacho