Devem lembrar-se daquela cena em “Aristogatos” em que a mãe, Duquesa, está a obrigar os seus três filhotes a estudar piano, e todos a cantarem a canção sobre o valor do estudo das escalas e arpejos? Pois, parece apenas o propósito para uma boa gargalhada, mas Walt Disney (este foi o último projeto que ele pessoalmente autorizou) e os seus argumentistas estavam bem mais perto da verdade do que, porventura, na altura imaginaram.

Um de maiores estudos de sempre, sobre os efeitos da música no cérebro, feito muito recentemente na Universidade de Vermont, resultou em algumas conclusões ainda mais a favor do estudo da música do que se costumava pensar e ofereceu provas da ligação entre a educação musical de qualidade e o sucesso na vida, por ela contribuir para a maturação emocional e comportamental de crianças.

Além dos benefícios já conhecidos, sobretudo na área do raciocínio espaciotemporal (ligado à capacidade de resolver problemas de matemática complexa), da compreensão da escrita e da expressão verbal, crianças que recebem educação musical estão civicamente mais aptas e interactivas e as suas notas médias são mais elevadas.

Isso, porque a quantidade de estudo de um instrumento parece ser directamente proporcional com a aceleração da organização cortical da atenção, gestão da ansiedade e controlo emocional. Crianças com espessura cortical diminuída podem ter mais problemas com ansiedade, depressão, falta de atenção e excesso de agressividade, enquanto a prática da música aumenta a espessura cortical nas áreas cerebrais responsáveis exactamente para essas mesmas áreas: memória de trabalho, gestão da ansiedade e controlo emocional. Poderá até ser um meio poderoso de tratamento da síndrome do défice de atenção e hiperactividade.

Em soma, aprender a tocar um instrumento, deve ser uma das actividades mais valiosas que uma pessoa possa empreender para contribuir para si próprio – se esteve ou está a correr as escalas para cima e para baixo, já mudou provavelmente, de alguma maneira positiva, a sua vida. E essas mesmas escalas podem igualmente alterar as vidas das gerações vindouras.

Nos Estados Unidos, cerca de três quartos de crianças “raramente ou nunca” recebem instrução extracurricular em música ou outras artes (!). A nossa realidade regional é, felizmente, bem diferente. Mas sempre há espaço para melhorar. Porque as crianças merecem. Todos merecemos. Acreditai nos Aristogatos!

Robert Andres