O Turismo é um sector de actividade de extrema importância e transversal a toda a economia da Região. Todos nós falamos, ou ouvimos falar, do nosso Turismo. Todos temos as nossas opiniões e ideias. Todos elogiamos e criticamos, quer sejamos profissionais do sector, quer vivamos apenas com a consciência de que é algo que nasce connosco e faz parte do nosso ADN, da cultura de um povo que se orgulha da beleza das suas ilhas e é mestre na arte de bem receber.
Neste sentido, é com enorme satisfação que vejo o executivo deste Governo Regional atender a uma velha reivindicação do sector privado, unificando os mercados e a promoção turística sob responsabilidade de uma única entidade. Este entendimento entre os dois sócios fundadores, Governo Regional e ACIF, permitiu à Associação de Promoção da Madeira o reforço de competências e recursos, na directa medida das suas grandes responsabilidades, e formar uma equipa superiormente liderada por uma pessoa que muito estimo, o Diretor Executivo, Roberto Santa Clara.
Por ter tido o privilégio de ter trabalhado, convivido e aprendido muito com ele, não foi com surpresa que o ouvi dizer, na primeira reunião com os associados, que uma das principais dificuldades em promover a Madeira e o Porto Santo no mercado nacional era precisamente o facto dos agentes de viagens não conhecerem os destinos que muitas vezes vendem, ao contrário do que sucedia no passado, por variadíssimas razões.
Eventos como aquele que recentemente se realizou no Chiado, em Lisboa, com enorme sucesso, são essenciais para mostrar o nosso destino e baseiam-se em algo tão simples, e por vezes tão difícil de descrever, como viver a experiência. As experiências não se descrevem, fotografam e se imprimem em brochuras, vivem-se. E devem ser vividas pelos agentes, pelos turistas e, porque não, pelos locais.
Desengane-se então quem julga que, por termos diagnosticado esta causa, bastará uma acção dirigida aos profissionais do sector ou ao turista potencial, e tudo estará resolvido. Façamos um pequeno exercício de memória e facilmente chegamos à conclusão que na prática, e para a maior parte de nós, viver as experiências não é mais do que uma longínqua memória de infância. Se nos posicionamos como destino a visitar ao longo de todo o ano, sejamos os primeiros a demonstrá-lo. Ver nascer o sol no Pico Ruivo, observar cetáceos no seu habitat natural, respirar a natureza ao longo de uma levada, desfrutar lentamente do pôr do sol na fabulosa praia do Porto Santo, entre tantas outras genuínas experiências, certamente farão de todos nós excelentes embaixadores da nossa Região junto de amigos e conhecidos. É um direito que nos assiste mas, igualmente, uma tremenda responsabilidade.
Sérgio Gonçalves