Há cerca de um mês escrevi nesta coluna, em cima dos resultados eleitorais, a minha opinião sobre como a situação política nacional iria evoluir. Hoje, a escassos dias do decisivo 10 de Novembro, cabe-me escrever um tudo nada mais do mesmo. Resulta daqui, numa primeira análise, que tudo esteve parado salvo a frenética actividade dos comentadores e, claro, a ocupação do espaço de sempre do Prof. Marcelo pelo Prof. Marques Mendes. De permeio houve um discurso do Presidente da República, que mereceu reparos da direita à esquerda, uns por umas razões e outros por outras, está bem de ver, mais um discurso de tomada de posse do Primeiro-ministro, mais outro do mesmo Presidente da mesma República, os lamentos ou hurras dos partidos de esquerda e de centro/ direita, respectivamente, e o afã dos jornalistas, coitados, a comentar todos a mesma coisa, do mesmo modo, com palavreado e estilos distintos. De outro modo não podia ter sido. A solução não se adivinha, ou melhor, só o Dr. Marques Mendes a” conhece”, os factos são os mesmos, pois o Prof. Marcelo já não está na TV aos domingos para os “criar” e, “a modos que” se torna difícil escrever de maneira diferente sobre a mesma coisa mantendo uma certa, mesmo que mínima coerência de opinião. E aqui vai mais do mesmo. Cavaco ajudou Costa quando fez um primeiro discurso em que disse que não daria posse a governos que não saíssem do parlamento e quase disse que não dava posse a governos minoritários e que não garantissem estabilidade. Cavaco ajudou outra vez Costa quando fez o discurso incendiário em que quase ilegalizou partidos que, à luz da constituição, são legais e que conseguiram centenas de milhares de votos de cidadãos portugueses com as contas em dia para com o Estado e no perfeito gozo dos seus direitos de cidadania. Cavaco uniu a esquerda, do centro ao extremo. Costa ajudou Marcelo quando disse que queria uma coligação de esquerda que incluísse PCP e Bloco. Costa Uniu a direita. Como não há extremo desta, uniu mais os partidos da coligação. E as sondagens, sempre as sondagens, demonstraram-no quando uma semana depois das eleições a TVI disse que “se as eleições fossem hoje” a coligação ganharia com mais diferença percentual. A esquerda e a direita “estiveram várias vezes de esperanças” ora quando o PS, o Bloco e o PCP se beijavam ternamente ora quando Jerónimo, o honesto “ingénuo” Jerónimo fez o discurso que fez há precisamente uma semana. Assis e alguns “moderados” do PS tendem a ajudar a “direita”, devagarinho, suavemente, quando marcam almoços, confraternizações e encontros diversos. O Bloco e o PCP tiraram a esperança a um moribundo Sampaio da Nóvoa, que já fazia conta com os votos dos dois partidos contestatários, pois acreditou que uns, o BE, se identificavam com a sua ideologia – “vá lá saber-se qual” – e que outros, o PCP, iriam, pela primeira vez abster-se de ter candidato próprio a Belém. O meu palpite é do género do de Cavaco Silva: se sair um dos dezanove países do euro ficam dezoito. Mas o melhor é esperarem por Domingo, pois Marques Mendes, dois dias antes do fim do jogo, terá o resultado em primeira mão.

António Cunha Vaz