Depois de dois jogos pouco conseguidos e com duas derrotas na carteira, o Marítimo deslocou-se à cidade do Porto para defrontar o sempre difícil Boavista.

Curiosamente o Estádio do Bessa até tem sido pródigo em feitos para o Marítimo: basta lembrar a meia-final que carimbou a passagem do Marítimo à sua segunda final da Taça de Portugal em 2001 ou o apuramento para a Taça Uefa em 1998 com a vitória do Campomaiorense no Bessa na última jornada do campeonato. E, porque se trata de um dado interessante, desde que o Boavista subiu na época anterior, após a sua longa travessia no deserto das divisões secundárias, o Marítimo tem somado por vitórias todos os jogos disputados frente aos axadrezados. E o jogo deste fim-de-semana não foi excepção.

A primeira vitória do Marítimo fora de portas para a Liga foi alicerçada em duas partes: numa primeira onde a equipa foi mais forte, criou diversas oportunidades de golo e conseguiu concretizar uma delas, contra uma réplica pobre ou quase inexistente do adversário. Na segunda mercê de um excelente trabalho defensivo, curiosamente aquilo que tem sido o calcanhar de Aquiles desta temporada, perante um Boavista que se espevitou e tudo tentou para alcançar pelo menos o empate.

Com as prometidas mudanças no onze, até por impedimento de alguns dos habituais titulares, Ivo Vieira optou por dar mais músculo ao centro do terreno, introduzindo Alex Soares e Éber (o outro Bessa do jogo – o estádio dá-lhe sorte), deslocando Marega para o flanco direito. E esta opção provou ser acertada já que foi por ali que o Marítimo criou os principais lances de perigo e por onde nasceu o único golo da partida, com uma excelente finalização do Dyego (a quinta esta temporada). É certo que a equipa poderia na segunda metade ter evitado algum sofrimento mas também é compreensível que, em alguns momentos, a necessidade imperiosa de vencer e somar pontos fale mais alto. E não deixa de ser algo irónico que seja precisamente o Boavista a reclamar de perdas de tempo e “antijogo” por parte dos jogadores do Marítimo! Este resultado premeia sobretudo a vontade demonstrada pelos jogadores e demonstra que a equipa pode e deve jogar muito mais do que aquilo que apresentou nas últimas jornadas.

Uma palavra para o lance do Edgar Costa. Já ouvi críticas ao jogador e críticas ao árbitro. Concordo com as duas. É verdade que o jogador, ao saber que já tem um cartão amarelo e que os árbitros andam de dedo leve no gatilho com o Marítimo, deveria ter outro cuidado. Sem dúvida. Mas também concordo com aqueles que acham que o árbitro tem outras formas de sancionar aquilo que ele possa entender como perdas propositadas de tempo, nomeadamente uma coisa chamada relógio.

Do mesmo modo que o jogador sabia que já tinha sido admoestado, o árbitro também o sabia e, naquele momento, não hesitou. E é isto que é surreal! Já foram disputados 78 jogos nesta Liga e, que eu tenha visto, só um jogador do Marítimo foi expulso nestas condições! Aliás, nem me recordo de ter visto num destes jogos um qualquer jogador a receber um cartão amarelo por esta razão! São 8 expulsões em 9 jogos o que é algo absolutamente inaceitável! Algo tem de ser feito, urgente!

Por fim, os meus parabéns à colectividade do União e a todos os seus adeptos e simpatizantes. 102 anos é uma idade de respeito! Só tenho pena que o mesmo não seja extensível ao seu presidente, feroz adepto da teoria de que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Desacredita tudo o que o clube alcançou recentemente. O que é pena.

Luís Miguel Rosa