
O Juntos Pelo Povo conseguiu, finalmente, autorização judicial para ter acesso e copiar toda a documentação do extinto e renascido Jornal da Madeira. Uma vitória para um jovem partido que no meio de muita caloirice própria da falta de experiência consegue, neste caso, dar um passo que muitos outros tentaram e falharam. Ao longo dos anos criou-se uma barreira fortemente vigiada que sempre impediu o acesso a uma empresa que, mais do que a maioria do grupo empresarial público, foi paga generosamente pelos impostos dos madeirenses.
Será desta que se saberá o que foi feito com as prendas mensais que eram despachadas pela Quinta Vigia? Será que conseguirão explicar onde foram gastos, ao longo dos últimos anos, os 52 milhões de euros que constituem o passivo de um pequeno jornal regional? Será desta que vamos saber que são apenas boatos e invenções todas as referências a pagamentos principescos? Pode ser que sim.
Era bom, para a saúde da também jovem democracia regional que se explicasse o que foi feito com um jornal que, ao longo de grande parte das décadas de simulacro pré-democrático em que vivemos serviu, sobretudo, de arma política e de ataques pessoais. Era bom para a democracia e para o novo projecto que se pretende desenvolver e que vai continuar a custar alguns milhões ao bolso dos madeirenses.
Se estas perguntas tiverem respostas, o JPP já ganhou o dia. Ou melhor, já justificou a legislatura. Para ter sucesso o partido tem de aproveitar a experiência profissional do arqueólogo que é o seu secretário-geral, porque vão ter de escavar muito e limpar muitos cacos.