Repúdio e luto. É assim que começo e terminarei este artigo sobre o que se passou no último dia 13, em França.
Os ataques em Paris não são um ato isolado pois surgem na sequência de atentados da mesma ordem que anteriormente se verificaram na Europa. Mas é preciso que olhemos de forma equidistante para o que também se passa noutros países como a Síria, o Iraque ou o Afeganistão, assim como noutros palcos em que tropas Ocidentais, incluindo obviamente a Franca, estão presentes. Dois dias depois do atentado em Paris, a França não apenas continuou com bombardeamentos na Síria como inclusive anunciou o número de baixas conseguido.
Os ataques que a Europa sofreu e irá inevitavelmente continuar a sofrer, por muito que se reforcem os graus de alerta, estão intimamente ligados à forma como o Ocidente se imiscui na política de países de África e do Médio Oriente. Os civis mortos pelas tropas Ocidentais nesses ataques não aparecem nos nossos telejornais.
Enquanto a indústria do armamento minar a política e enquanto o Ocidente atacar países com argumentos de ordem mundial que não passam em muitos casos de invasões em países soberanos, continuaremos a ser atacados como fomos em França. Se tivermos como exemplo a intervenção militar no Iraque – onde supostamente existiam armas de destruição maciça – vemos que os resultados destes ataques não servem os nossos interesses. O Iraque está hoje, muitas mortes depois, pior do que estava.
Aqui chegados, tenho alguma dificuldade em acompanhar este espanto internacional sobre os ataques de que fomos alvo. Por um lado porque não são novos e por outro porque as causas que os alimentam continuam presentes.
Também nós estamos na causa de tudo isto.
A guerra combate-se com paz.
Luís Sena-Lino, Consultor de Marketing e Comunicação