Elsa Água Emília caminhava no meio da neve fria, os seus pés descalços gelavam com a intempérie que se fazia sentir. Parar não era opção. Ali, morreria gelada. Talvez sobrevivesse se tentasse caminhar, mesmo que o gelo e a pele parecessem um só.
Continuou.
Os seus pés partiram como se fossem de barro.
Acordou atordoada com o pesadelo terrível que tivera. A garganta estava seca e a pele doía-lhe. Tinha adormecido à sombra de um cato gigante que emergia na areia escaldante do deserto. Deveriam ser pouco mais de 12h00 e o sol a pique roubara-lhe a sombra. Não tinha como fugir da sua sorte. Acordada ou a dormir tinha um monstro para enfrentar….Agora, o deserto. Nada se via para além de areia.
O sol queimava-lhe as palmas dos pés, mas seguiu.
O seu espírito guerreiro continha sempre a certeza de que não se vira as costas a uma batalha… e que os caminhos mais difíceis se fazem em nós.