Quem nasce numa ilha montanhosa como a nossa, conhece bem o anúncio de perigo das escarpas, falésias e declives súbitos. Respeitamos a distância dessas alturas, pois sabemos que por baixo delas se estende o perigo e o desconhecido. Também no mundo televisivo existem os episódios que terminam precisamente no momento mais alto de suspense, deixando o público nervosamente à espera do próximo episódio – o chamado “cliffhanger”.

Permitam-me uma transposição do figurativo para a nossa realidade política. O dia de ontem marcou um cliffhanger político para o país. Uns dirão que o processo das eleições legislativas de 2015 se encontra agora finalizado. Outros olham com apreensão face ao cenário desconhecido que se apresenta ao país, não deixando de respeitar a decisão do Presidente da República. Já agora, não resisto a perguntar o seguinte: o que dirão aqueles que tanto vilipendiaram Cavaco Silva publicamente nas últimas semanas, ansiosos por queimar etapas mais que democraticamente legítimas? Será que o tempo serviu de bom conselheiro a estes céleres críticos?

Existe sempre um day-after às eleições. Desta vez Portugal teve dois. O PS encontrou o seu “Plano B” e decidiu planar no desconhecido, montado num parapente frágil.

Só a experiência da arena política irá demonstrar até que ponto os seus parceiros PCP, BE e PEV realmente assumirão o seu papel de “vento sob as suas asas”. Ou se - e quando - decidirão transformar os ventos elísios em tempestade.

Rubina Berardo, Deputada do PSD na AR