3 notas prévias sobre o momento atual: 1 - O PSD/CDS, ferozes opositores do acordo PS/PCP/BE, branqueiam o facto de, sem qualquer reserva, em 2009, votarem ao lado destes partidos a rejeição do PEC4 já negociado com a EU, que evitaria a vinda da troica, tendo, por ganância de poder e agenda ideológica, atraído a voracidade dos mercados e as demais desgraças que todos pagamos.

2 - A afirmação de Passos Coelho/Portas de que, em circunstância nenhuma, votarão ao lado do PS, se a votação não for possível com os partidos do acordo, pronuncia a falta absoluta de patriotismo e o revanchismo desta direita má perdedora que prefere que o país “se lixe” a ter de, eventualmente, votar ao lado do PS mesmo em questões de absoluto interesse nacional.

3 - À hora em que escrevo estas linhas, ouvi nas notícias que Cavaco tinha encarregado Costa de apresentar uma solução estável e duradoura para o governo do país, para a qual pediu esclarecimentos adicionais. Tudo indica que Cavaco não terá outro remédio que não seja indigitar Costa para formar governo. O futuro governo terá de ser excelente para afrontar as previsíveis dificuldades que surgirão de todos os quadrantes, da EU neoliberal, das corporações, da desinformação publicada pela comunicação social alinhada na sua maioria com a direita, das armadilhas que Passos e Portas urdirão sobre tudo e a todo o tempo. Não serão aceites por ninguém mais “jobs for de boys”, adjudicações a amigalhaços e todos os demais itens de corrupção que caracterizaram os vários governos do defunto “arco da governação”. Os quatro partidos necessitam de estar preparados para entender que não podem falhar e que terão de engolir “muitos sapos”, caso contrário engoliremos todos os “elefantes” da direita e por muito tempo. O trânsito na Avenida do Mar Estamos habituados a que as soluções para os vários problemas sejam mais políticas que técnicas, oriundas, o mais das vezes, no parece que…, no se calhar…, no quero posso e mando, no “show off” para encher o olho, na “meia bola e força”. Assim parece ter acontecido na Av. do Mar, pois não se entende porque num percurso tão pequeno entre as duas rotundas - Sá Carneiro e a da Casa da Luz, se tenha de parar tantas vezes nos semáforos, não se conseguindo, na maioria das vezes, passar mais de dois. Experimentei por várias vezes partir da rotunda Sá Carneiro, contornar a rotunda da EEM e regressar à rotunda Sá Carneiro, e, na maioria das vezes, tive de parar sete vezes nos semáforos em horas de trânsito reduzido (12h). Será que os decisores e os técnicos desconhecem o conceito de “vaga verde”, na qual os semáforos se vão abrindo à medida da progressão dos carros, que, mantendo a velocidade limite da estrada, podem percorrer longas distâncias sem ter de parar?

Em Lisboa cheguei por mais de uma vez a fazer o percurso Terreiro do Paço / Lumiar numa única vaga verde. Não se pode comparar a complexidade do trajeto referido com o da Avenida do Mar que tem apenas duas perpendiculares.

Na última alteração que fizeram ao trânsito colocaram barreiras metálicas numa passagem no separador central entras faixas sul e norte da Avenida do Mar, junto ao cais. Essa passagem de interpretação ambígua servia a inúmeros condutores para fazerem uma inversão de marcha da faixa sul para a faixa norte evitando assim um percurso desnecessário até à mal desenhada e congestionada rotunda da EEM. Não tenho conhecimento de nenhum acidente ocorrido com essa prática. O intervalo de tempo decorrido entre o fecho do semáforo da faixa norte da avenida e a abertura do semáforo do final da Avenida Zarco era suficiente para permitir a passagem de quatro ou cinco carros sem prejuízo para a demais circulação. Ao invés de estudar e disciplinar, maximizando uma inversão de marcha em segurança, entenderam os decisores fechar pura e simplesmente a passagem.

De cada vez que se realizam provas desportivas, geralmente aos domingos, entendem os mesmos prepotentes decisores encerrar ao trânsito automóvel na Av. do Mar na sua totalidade desde a Pontinha até à Casa da Luz, por longos períodos, impedindo o acesso à prática doutros desportos, nomeadamente os que necessitam de acesso ao mar. Sem por em causa a realização destes eventos, mandaria o bom senso e o respeito pelos demais utilizadores que se fechasse apenas uma das duas faixas existentes em cada sentido, ou que reduzissem o encerramento ao tempo estrito da passagem das provas. Deste modo todos veriam respeitadas as suas necessidades de utilização.

O afã da criação de parques para motociclos chegou à Av. do Mar. Tenho visto noutras cidades maiores e menos provincianas uma solução semelhante, só que para bicicletas. Para motas, é a primeira vez que vejo. Para qualquer cidade civilizada com preocupações ambientais o acesso ao centro das cidades é feito através de transporte público, sendo o acesso de veículos motorizados fortemente condicionado e de curta duração, seja carro ou seja moto. Não há qualquer razão que explique o facto de os carros terem o estacionamento condicionado em tempo à superfície (e bem no meu entender) e as motos poderem estacionar o tempo que quiserem. Nem tão pouco nada que permita entender os custos para uns e as borlas para outros. É uma questão de tamanho?

O responsável pelo trânsito, para justificar o aumento do número de estacionamento para motos em prejuízo do estacionamento para automóveis, considerou que os automobilistas dispunham de múltiplas alternativas a nível de estacionamento subterrâneo. Esse mesmíssimo argumento é igualmente válido para as motos.

A fechar, devo também esclarecer que considero estranha, peregrina e ilegal a invenção das “boxes” para as motos. A sua criação encoraja o irritante e perigoso hábito dos motociclistas se introduzirem no meio das filas de trânsito, entre os automóveis.

Helder Melim