Passou a existir um antes e um depois. Pela mão de António Costa o princípio que havia entre nós que só os partidos pró europeus e democráticos tinham acesso ao poder deixou de existir. António Costa trouxe para o arco da governação a extrema esquerda (no caso português, estalinista) e a esquerda radical (tão extremista nas atitudes como os estalinistas do PCP). É um precedente. Portugal entra assim na exceção europeia que é ter partidos de extrema direita ou de extrema esquerda nas soluções governativas. Curiosamente é a primeira vez, em democracia na Europa, que um partido estalinista chega à área da governação. Deve-se a António Costa. Se os comunistas podem participar numa solução governativa num país europeu porque não um partido nazi ou um partido racista? Já faltou mais. Os precedentes foram abertos. Agora é só esperar. A Europa caminha assim para um deboche preocupante. Mas a história da Europa demonstra que o nosso continente é mesmo assim.

Em Portugal vive-se uma situação de clara “batota eleitoral”. A coligação que venceu as eleições foi impedida de governar por uma aliança de esquerda/extrema esquerda que foi constituída nos bastidores dos partidos (nas costas dos eleitores) sem qualquer legitimação popular.

Se António Costa queria liderar uma coligação com a extrema esquerda porque não fez como o PSD e o PP que se aliaram antes das eleições e submeteram-se ao voto popular? Não tenho a menor dúvida: a grande maioria dos eleitores do PS não votaram numa solução governativa de extrema esquerda e muitos dos eleitores do PCP não votaram numa solução de governo com o PS. Logo estamos a assistir a uma clara “batota eleitoral”.

O que une os 3 partidos desta coligação «contra-natura» é o ódio à direita e a fome de poder.

António Costa ressuscitou em Portugal o desrespeito pelos resultados eleitorais. Em 1975 o PCP teve igual atitude. As eleições tinham sido ganhas pelo PS mas Cunhal achou por bem não aceitar esse “resultado das urnas”. Foi preciso Mário Soares e Sá Carneiro liderarem uma outra Revolução anti-extrema esquerda para então termos um regime democrático. Este episódio faz parte da história democrática de Portugal e teve no PS um dos grandes responsáveis. Pois agora vive-se uma situação semelhante: a coligação PSD-PP venceu as eleições mas António Costa e a extrema esquerda consideram arrogantemente que o voto das urnas não expressa os sentimento da troika Costa/Catarina/Jerónimo. Daí derrubar um governo legitimado pelas urnas. A vergonha é tanta que António Costa, que tinha cartazes que diziam que era “candidato a primeiro-ministro”, diz que os programas dos 3 partidos da coligação de esquerda/extrema esquerda têm muito de semelhante.

Semelhante? Então o Programa do PS amplamente elogiado por ter tido o senhor Centeno como responsável e por ser um Programa liberal é semelhante aos programas do Bloco e dos Comunistas? Estes dois partidos da extrema esquerda são anti-União Europeia, anti-moeda única, anti-Tratado Orçamental, anti-Nato e António Costa diz que é “muito os que os une”? Alguém acredita que o PS é mais próximo da extrema esquerda que do PSD? Diz ainda António Costa que esta é uma “solução de estabilidade”. Se António Costa queria estabilidade então porque não aceitou participar numa solução com o PSD/PP que juntos teríamos 193 deputados? É que a coligação com a extrema esquerda tem 122 deputados! Enfim, António Costa o grande perdedor das eleições conseguiu na secretaria (e nas costas dos eleitores) aquilo que não teve nas urnas: a solução para governar. Uma vergonha para o PS, para a Democracia e para Portugal. Cinco anos depois de nos terem falido os socialistas querem estar de volta. Só que desta vez trazem uma outra troika: PS+Bloco+comunistas. De facto uma desgraça nunca vem só...

Paulo Neves