Um «directório amigo», decidiu que as classes médias viviam acima das possibilidades e zás…toca-lhe a cortar nos rendimentos. Tudo ia bem: a Banca financiava este, aquele, um outro, « criavam» dinheiro e produtos financeiros que não tinham risco… descobriu-se que eram tóxicos. Afinal aqueles senhores bem vestidos descobriram que todos os países devem dinheiro uns aos outros, mas não sabem como resolver a crise. A dívida pública, apesar dos cortes e mais cortes na educação e saúde, continua a subir estando insuportável. Dizem por aí que a dívida privada é dupla da dívida pública!... Os nossos «amigos» resgatadores, determinaram que era preciso cortar salários, deveres sociais do Estado. A receita implicava a diminuição do valor do trabalho. Os velhos, apesar dos cortes das pensões e aumento de medicamentos, ainda têm de ajudar os netos, que não arranjam trabalho, ou os filhos que caíram no desemprego. Os jornais afirmam que os super ricos ficaram anafados e os pobres esfomeados. Milhares de alunos saem das Universidades porque não tem dinheiro para pagar propinas e os que acabam o curso não conseguem emprego. A saída é a emigração. Ei-los que partem, estes jovens licenciados, com o curso financiado pelos contribuintes nacionais, para integrar os serviços dos países ricos. As escolas, nas férias abrem para que os meninos possam ir comer, já que não têm comida em casa. O Banco Alimentar cresce….o País transformou-se numa grande «sopa do Cardoso», onde até a classe média envergonhada vai lá pedir. Os « berbicachos» do betão e a vilanagem foram enormes : eram as fábricas das moscas, foram as obras de luxo para tratar o lixo… mas falta dinheiro para comprar medicamentos. Os nossos «amigos» ajudaram a construir auto-estradas e vias rápidas. Foram as parcerias público /privadas em que o risco do privado é zero, e, o público é pago pelos contribuintes. As terras estão abandonadas, o desemprego é enorme mas dizem que fica mais barato importar os produtos. Já passaram mais de quarenta anos do 25 de Abril e em breve quarenta do 25 de Novembro falta apagar o fogo mas alimentamos a fogueira. Não há votos nem partidos de segunda ou de primeira. É tão importante ser governo como ser oposição, porque os portugueses precisam de paz, trabalho saúde e educação. O Povo dispensa quezílias inúteis.
Dírio Ramos