Bruna Pereira Faz dias que perdi, para além de um animal de estimação, uma grande amiga. Uma grande companheira. Escrevo, não apenas impelida pela dor da perda mas sim pelas circunstâncias em que isso aconteceu. Fazem 48h que entreguei aos cuidados de um conceituado veterinário de São Vicente. A Clara iria ser esterilizada. Perguntei se deveria levá-la até ao local, mas prontamente o Dr. respondeu que não, pois ele próprio viria buscá-la (apesar de manifestamente não ter condições para isso, visto não ter nenhuma transportadora nem nada que assegurasse a sua segurança) Mas acreditei que ia correr tudo bem…Talvez seja essa a natureza humana. Entretanto, depois da hora de almoço, recebo uma chamada telefónica do mesmo a informar-me que (de alguma forma) deixou escapar a minha cadela do carro e que correu atrás dela até um precipício de onde ela se atirou. “Morreu.” “- Morreu?”, “Sim, está morta. Isto nunca me aconteceu. Não sei que lhe diga”. Familiares meus dirigiram-se à clínica e enfrentaram a verdade inegável, incontornável. A verdade que ainda não sou capaz de aceitar. Tão insólito, tão caricato. Aguardei até agora à espera de um telefonema. Não veio, julgo que não virá. A Clara faria 4 anos em Abril. Era a melhor amiga do meu gato, o Simão. E minha. Não sei que mais acrescentar. Não sei até agora o que realmente aconteceu. As conclusões que as tirem os leitores. Só sei que ela não está em casa quando chego e o alpendre nunca esteve tão vazio. Nem o meu coração.