Estamos a viver tempos bem difíceis, a nível interno e externo. Os atos terroristas, que acontecem um pouco por todo o mundo, e que tiveram uma grande expressão em França, devem preocupar todos os que se preocupam com a Liberdade, a Paz e a Democracia. Não concordo com algumas discussões, que vejo na comunicação social e nas redes sociais, e até me causam impressão, sobre a medição de forças, entre os que são mais defensores da Democracia contra o terrorismo. Um ato terrorista é sempre uma desgraça, e deve ser sempre condenado, por quem acredita que só em Democracia e em Liberdade é que podemos sobreviver, enquanto povos deste Planeta. Os incentivos às guerras e os apoios às divisões dentro dos países estão a ter consequências tão sérias que deveriam pôr a pensar os “poderosos do mundo”. Mas por aquilo que verificamos, esses não mudam de posição, deixando milhões de pessoas sem proteção. E assim morrem inocentes, gente normal, que serve de alvo fácil, e de cobaia, para servir estratégias de jogos de guerra que não servem a humanidade. Depois é fácil exprimir os “lamentos” hipócritas, as palavras ensaiadas, e tudo continuar na mesma. É caso para dizer: coitados dos que morrem e das suas famílias, porque os outros vão continuar a matar, em nome de tudo o que serve os seus interesses, que não são, de certeza, os interesses da sobrevivência da humanidade em Paz, Democracia, e Liberdade. Também em Portugal se trava uma “guerra” com um Presidente da República que, embora em fim de mandato, se arvora em desrespeitar a Democracia parlamentar e o voto dos/as portugueses/as. Ainda, por cima, vem para a Madeira queimar tempo, fazendo recordar os dois agoniados governantes depostos, que depois do 25 de Abril fugiram para cá, como se fossemos o “caixote do lixo” do país. Lamento que para este quase ex-Presidente, a Madeira só seja lembrada, no fim do calendário, porque nada de novo aconteceu com a sua estadia, a não ser ficarmos a saber que o Senhor gosta do tamanho da nossa banana. Os destinos do país, o orçamento, as obrigações sociais para 2016, etc… esses podem esperar, porque este Senhor diz que não tem pressa. E era ele que pedia responsabilidade aos políticos, nos discursos de circunstância. Era ele que pedia celeridade na resolução de conflitos, e agora parece uma “criança” a brincar com um brinquedo novo: “se, eu já fui nomeado para um governo de gestão, porque não poderei fazer o mesmo?” Nós respondemos, porque nessa altura, não existia uma maioria parlamentar disposta a governar o País, e a quem o então Presidente da República, pudesse empossar. Esta é uma grande diferença, Senhor Cavaco Silva, não brinque com o País, e não brinque com a nossa inteligência, porque já temos 41 anos de democracia, somos um bocado adultos e merecemos mais respeito. O problema para o Senhor, em fim de carreira, é ter que terminar o mandato a dar poder a um governo fora da sua área partidária e ideológica. É dar poder à maioria, que foi eleita pelo Povo, para a Assembleia da República, e que está preparada para governar o País. Assim reza a Constituição da República Portuguesa, que o Senhor, mais do que ninguém, deveria conhecer. Se os tempos são de guerra, nós queremos a Paz, para resolvermos os problemas mais emergentes que afligem os Portugueses. Se o Senhor não tem pressa, nós temos urgência, e é isso realmente o que nos separa profundamente.
Guida Vieira