Os PCA (Percursos Curriculares Alternativos) constituem uma das medidas que as escolas têm ao seu dispor para tentarem dar resposta aos alunos que apresentam extremas dificuldades de aprendizagem, repetências consecutivas, problemas graves de indisciplina, risco de abandono escolar e exclusão social.

Os PCA assentam numa componente mais prática do currículo, havendo a possibilidade dos alunos cumprirem uma parte do horário fora da escola, em atividades vocacionais. A maioria deles encontra neste sistema o seu sucesso escolar, permitindo-lhes não só completarem o 3.º ciclo, como também adquirirem alguns conhecimentos, competências pessoais e sociais. A margem de sucesso desta alternativa educativa deve-se à estratégia de se constituírem pares pedagógicos, à devoção dos professores, às parcerias e ao valoroso apoio, a diversos níveis, da Secretaria Regional da Educação.

Apesar das suas mais-valias, a legislação destes Percursos Alternativos precisa de ser alterada no sentido de se rentabilizar ainda mais as potencialidades desta oferta formativa. Além da urgência de se repensar o limite da idade dos alunos que integram os PCA, em termos da componente da formação geral, as escolas deveriam ter mais autonomia na definição dos conteúdos, das disciplinas e da sua carga horária.

Os PCA só estão previstos até ao 3.º ciclo, todavia, como a escolaridade obrigatória vai até aos 18 anos de idade, ou 12.º ano de escolaridade, estes alunos deveriam poder completar o secundário e o ensino obrigatório dentro desta oferta formativa, porque a maioria não tem condições para integrar o sistema regular, nem um curso profissional. Em virtude da especificidade destas turmas, torna-se imprescindível que a legislação preveja tempos semanais para os professores se reunirem, de modo a analisarem, discutirem e definirem metodologias de atuação.

A maioria destes alunos são indisciplinados, conflituosos, insolentes, sem regras, estão desmotivados e sofrem com a falta de autoestima, como é evidente, trabalhar com estas turmas é deveras difícil. Ser professor de um PCA necessita mais do que competência científica, exige, sobretudo, mestria pedagógica, forte capacidade psicológica, resistência física e sentido de missão. Os professores são uns heróis.

Rui Caetano