José d’Olim Ao longo destes últimos cinco anos, a maioria da população madeirense sentiu na pele as gravosas consequências de dois pacotes de austeridade em simultâneo. O primeiro, imposto pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas a todos os portugueses. O segundo, conhecido de PAEF, decorrente das irresponsabilidades dos desregrados governos de Alberto João Jardim, continua a fazer estragos na nossa fragilizada qualidade de vida. Pelos vistos, continuará em 2016, a comprometer o já depauperado orçamento de milhares de famílias madeirenses. E, como se tudo não bastasse, a nossa situação social e económica não encontra nas promessas eleitorais de Miguel Albuquerque espaço para respirar. O seu tom critico às políticas seguidas pelo seu antecessor, antevia uma nova era e um novo voltar de página na vida da esmagadora maioria dos madeirenses. Infelizmente, não se consegue vislumbrar ventos alísios dessa realidade. Isto, porque vem aí mais um pacote de austeridade, o terceiro, deslindado no próximo orçamento da Região e vazio das tais bandeiras utilizadas na campanha do partido que suporta o actual governo regional. Refiro-me, nomeadamente, ao regime de autonomia fiscal bem como ao regime de apoio à mobilidade dos madeirenses e portosantenses. É aqui, que eu queria chegar. A aplicação da 3ª austeridade para os contribuintes da Região, verifica-se na forma camuflada de como estamos a pagar o enorme passivo da TAP e a engordar os lucros das outras 3 companhias aéreas. O SOS lançado por uma madeirense a estudar no Continente ao governo regional, através de uma carta enviada recentemente a este Diário é um sinal mais que evidente de assunção de mais uma austeridade a centenas de famílias madeirenses. Lê-se nessa carta a angústia de muitos dos nossos estudantes que, para além de terem sido excluídos das bolsas de estudo e das residências universitárias, não conseguem suportar os custos elevados das passagens aérea de regresso à Madeira, para quadra natalícia. Passar o Natal, pela primeira vez, fora da família para um jovem de 17 anos, não é pera doce! Nem pode ser visto, como a melhor forma de incentivar a continuidade dos seus estudos. A carta questiona o governo regional sobre os milhões injectados, gratuitamente, nos clubes de futebol e num número cada vez mais crescente de associações para viagens, alojamentos e outros regabofes com retornos duvidosos para a promoção da Madeira. Neste contexto, faz todo o sentido, que quem estuda fora da Madeira veja, também, as três viagens (Natal, Páscoa e fim de ano lectivo) asseguradas na totalidade pelo orçamento regional. Porque, na verdade, são os nossos estudantes a massa crítica e a força do conhecimento de qualidade no futuro do desenvolvimento da Madeira.