António Trindade Declarações minhas à RTP Madeira, geraram alguma polémica, nomeadamente entre estudantes colocados nas Universidades portuguesas.
Primeiro, declaração de interesses:
1 - Fui estudante em Lisboa, os meus filhos foram estudantes em Lisboa e por isso senti na pele o problema dos transportes.
-Acontece que a Madeira tem um deficit estrutural de transporte aéreo, pois os cerca de 32.000 lugares semanais (191 voos da TAP; EASYJET; CHARTERS;
OUTRAS LOW-COSTS) têm de servir os residentes na Madeira (entre 3500 a 4000 lugares semana), estudantes, emigrantes, madeirenses residentes no Continente Português não estudantes, a quem não é extensivo o subsídio de mobilidade, turistas, etc..
Em determinados períodos do ano, (como o são os primeiros dias de Janeiro), a situação torna-se particularmente difícil, pois a preponderância de um segmento atrás referido sobre outros, altera a regras do jogo.
E as actuais regras de aplicação do subsídio de mobilidade, apesar das boas vontades dos seus “criadores”, geraram distorções enormes e permitiram que as companhias aéreas estabelecessem uma política de preços, manifestamente inaceitável. O facto de o Estado compensar até 314 euros para residentes ou 335 euros para estudantes numa viagem de ida e volta à Madeira, não desperta nos madeirenses, estudantes ou não, aquilo que acontece com todos nós em outras circunstâncias: a procura do melhor preço.
Também por isso, as disfunções que se nos colocam actualmente, que referiria aqui alguns exemplos:
- madeirenses não residentes ( e são mesmo muitos os que conheço) - os preços de viagem são tão elevados, que muitos conterrâneos optaram por passar o Natal na Ilha, mas regressar a Lisboa ou Porto antes do final do ano.
- turistas, a quem lhes são propostas tarifas que ultrapassam os 700 euros.
- de acordo com a pesquisa que fiz hoje no site da TAP, entre os dias 1 e 4 de Janeiro, no percurso Funchal-Lisboa, não existe uma, repito uma disponibilidade para viagens passíveis de subsídio de mobilidade. Isto quer dizer que, qualquer madeirense que, a partir de hoje e a cerca de um mês e meio de distância, precise de se deslocar a Lisboa, terá de pagar cerca de 300 euros por um percurso Funchal-Lisboa, sem qualquer direito a subsídio.
- fui criticado por querer os lugares todos para os meus hotéis. Não é verdade. Os Grupos hoteleiros, têm na sua grande maioria, mais defesas que os colegas com menos capacidade. E é em nome deles que falo, pois são os mais pequenos, sobretudo aqueles situados fora do Funchal, que mais sofrem com estas distorções de mercado.
Um último pedido de desculpas aos estudantes meus conterrâneos: Reconheço que o termo “bom senso” não se adequa exactamente a eles. Aplica-se sim a quem criou este modelo de subsidiação e aos transportadores aéreos, a quem tem faltado sentido de prestação de “serviço público”.