Formam um conjunto de cidadãos desiludidos, com a realidade colectiva em que vivemos. Vou tentar definir o grupo e exprimir a sua vontade.

Nas eleições estavam inscritos 9.600.000 cidadãos. Votaram 5.408.000. O “Grupo Parlamentar FDT’s” com 4.192.000 votos é, inquestionavelmente, a maior minoria de cidadãos sem representação na Casa das Leis. Vou assumir a condição de representante destes párias.

Os FDT’s são, sempre, chamados às urnas. São ameaçados com a obrigatoriedade do voto e a sua manifestação de vontade –abstenção – é, sempre, ignorada. Na noite de 4Out, os partidos, nas contas do costume, encontraram vencedores e vencidos. Porém, desta vez, as coisas complicaram-se. Desfeito um casamento de 40 anos, os ressentimentos surgem. Controlando a informação, a PàF lança, tentando incutir medo, uma campanha de ataques soezes sobre o PS e António Costa Um argumento que mais se ouviu foi que os votantes do PS não quereriam a união de esquerda, pois, os programas do PC e BE limitam as liberdades, pelo que devia o PS manter-se fiel à relação anterior. A PàF, do alto da sua arrogância, esqueceu as pessoas, durante 4 anos não lhes ligou nenhum. O partido charneira do sistema – PS – passou uma esponja sobre o passado e, abandonando os seus amores à direita, foi namorar à esquerda. Aqui, começam a funcionar os neurónios dos FDT´s.

Interrogam-se eles: quantos portugueses leram os programas dos partidos? Terão saberes para fazerem tão fundamentada escolha? Acrescentariam de imediato: fiquem V. Exªs sabendo que estamos Fartos Disto Tudo. Levámos 40 anos em Liberdade e, como maior minoria que somos, pedimos muito pouco. Basta-nos: Trabalho, Pão, Saúde Habitação, Segurança e Educação. Coisas que escasseiam nos tempos que correm. Connosco tudo é simples. Trotsky, quem é esse? Deve jogar na 2ª divisão, Estaline alguns, poucos, conhecerão.

Os três partidos que durante 40 anos foram poder, parecem máquinas de conquistar votos, interessadas na distribuição de mordomias pelos seus apaniguados.

Parem, escutem e olhem pois, os FDT’s estão fartos de pagar impostos para suportar tanta “gordura do estado”. Reformem-no pois a maior minoria, para mal da democracia, em breve será a “maior maioria”. Doutos representantes dos votantes, os FDT’s também são Portugueses!

PS: A propósito de votos e maiorias, pergunto: para quando uma moção na ALM, mandatando o Sr. Pres. para apresentar, no MP, um pedido de inquérito à trapalhada das obras no porto?

Gaudêncio Figueira