Em 2008, foi criado no Sultanado de Omã, uma organização sem fins lucrativos denominada Oman Sail. Tinha como ambição, reavivar a tradição marítima do país, promover o destino globalmente, através da vela, e proporcionar aos jovens, um mundo de novas oportunidades. Fruto da visão de Sua Majestade Sultão Qaboos bin Said, Omã figura hoje em dia como uma referência no panorama da vela mundial. As embarcações patrocinadas pelo Sultanado, que participaram com sucesso nas mais prestigiadas competições oceânicas; os inúmeros eventos desportivos que se têm desenrolado no Golfo de Omã; as barreiras culturais que foram ultrapassadas quando velejadores locais, homens e mulheres, começaram a velejar pelos mares desse mundo fora; são alguns dos exemplos que confirmam que a visão de Sua Majestade estava certa. Quando os 140 velejadores de prancha à vela viajaram para Omã, para participar no campeonato do mundo da classe RS:X, apenas sabiam que iam encontrar muito calor e humidade. Alojados numa unidade hoteleira em Mussanah, que serviu de sede aos Jogos Asiáticos de Praia, podemos constatar o quanto a vela contribuiu para tornar aquele país mais aberto. O fluxo constante de velejadores de outros países, com outros credos, diferentes culturas, abriu brechas numa forma de estar secular. É verdade que ainda se podem ver mulheres de burca na piscina ou na praia, mesmo com temperaturas a aproximarem-se dos 40ºC. É ainda uma realidade que estas, apesar de poderem conduzir, não podem se sentar ao volante de uma vulgar carrinha de 9 lugares. Também é certo que nenhum homem branco pode conduzir um camião. Poderia continuar a relatar situações que, para nós, são no mínimo estranhas, mas que são aceites com naturalidade em Omã. No entanto, também é verdade que ouvi, mais do que uma vez, locais a se referirem às leis e costumes, como sendo coisa do passado. Ainda levará com certeza algumas gerações para ultrapassar tantas barreiras, mas para lá caminham. Tendo o mar como pano de fundo. Nós por cá, não temos estes constrangimentos. Temos outros. Mas podemos olhar para este exemplo como uma referência. Às vezes, é preciso que alguém tenha a visão. Basta olhar para o horizonte. E o que se vê? Mar! Tanto mar. Mas não basta olhar...

Joao Rodrigues Velejador olímpico