Quem foi ao Estádio do Marítimo no domingo saiu com duas convicções: que assistiu a um bom jogo de futebol, com emoção, golos e incerteza no resultado até ao fim, e que o resultado é merecido por parte da turma verde-rubra. E quando assim o é só podemos estar satisfeitos, pois é isso que queremos em todos os jogos: jogar bem e ganhar. De preferência muitas vezes.
Depois da vitória na última jornada no Bessa, o Marítimo recebia o Rio Ave, colocado à entrada desta ronda no terceiro posto com apenas uma derrota em nove partidas e dezoito pontos somados, o que prometia um jogo difícil para o Marítimo. Apimentava o enredo a presença do nosso ex-técnico Pedro Martins e um jogador nos convocados, de nome Héldon. Se o jogo era em teoria difícil, tudo fez o Marítimo para o tornar mais fácil. Quase repetindo o onze da semana passada (quase porque o vermelho da praxe encostou Edgar Costa à boxe), repetindo o meio campo mais duro com Fransérgio, Bessa e Alex Soares, e com Marega a partir os rins aos laterais contrários, a equipa encontrou um fio condutor de jogo muito interessante e com uma produção ofensiva, se não constante, pelo menos eficaz. E assim se explica o resultado ao intervalo que até poderia ter sido mais volumoso não tivesse a cabeça de Alex Soares estado virada para as serras do Funchal. O Rio Ave teve muitas dificuldades em responder e nem a entrada no jogo do tal jogador, que parece continuar amnésico sobre quem o promoveu para o futebol do mundo, trouxe novidades à equipa de Pedro Martins (talvez as “saudações verde-rubras” lhe tenham deixado saudades). Na segunda parte, como seria expectável, o Rio Ave puxou dos galões mas, verdade seja dita, não fosse a passividade defensiva do Marítimo em dois lances infantis (sobretudo o segundo), o resultado teria tido outra expressão e assentaria melhor ao jogo.
Novidade também foi acabar o jogo com onze jogadores. Mas foi por pouco. Bastou ver que os cartões que Artur Soares Dias puxou sem hesitar para os jogadores do Marítimo (e nem discuto se bem exibidos ou não), não tiveram o mesmo tratamento para os jogadores do Rio Ave e há vários jogadores que agradecem a ficha limpa nos Barreiros. E para os que não perceberam porque saiu o Marega, recordem-se de um lance um pouco antes da sua substituição, junto à linha lateral, em que numa falta a favor do Rio Ave o árbitro da partida veio em corrida “para cima” do Marega a ameaça-lo com o segundo amarelo. O nosso treinador fez o que tinha a fazer e protegeu o jogador. Perante o historial recente não tinha outra solução.
Em suma foi uma boa resposta do Marítimo, somando assim a segunda vitória consecutiva. Antes do dérbi no final do mês, o Marítimo tem dois compromissos, para a Taça da Liga e para a Taça de Portugal, ambos fora de portas. Espera-se uma resposta positiva da equipa, dando seguimento aos dois bons jogos conseguidos para a Liga.
Duas notas: os meus parabéns ao Diogo Abrantes. O “Abusa” abusou e no pavilhão do Marítimo alcançou o título de campeão do Mundo. Não é para todos! Faleceu Luís Filipe Aguiar. Para quem não se recorda o músico está ligado ao Marítimo desde os anos 80 quando deu a sua voz a duas das canções mais emblemáticos dos verde-rubros: ‘Saudação ao Marítimo’ e ‘Vivó Marítimo’. As condolências à família.
Luís Miguel Rosa, Advogado