Assinalando o final de mais uma época desportiva, realizou-se na Gare Marítima do Porto do Funchal, a exemplo das outras duas edições passadas, a Festa dos Campeões da Vela da Madeira, e que se saldou em mais uma digna cerimónia de reconhecimento de cerca de 4 dezenas de campeões, tendo-se igualmente distinguido atletas e colectividades, que no decurso dos 25 anos de existência e actividade da Associação Regional de Vela da Madeira, se distinguiram não só pelos seus méritos desportivos, como também, pela forma sempre prestável e meritória com que se envolveram com a modalidade, contribuindo para a sua promoção e desenvolvimento.
Nem de propósito, um dos distinguidos, foi o velejador João Rodrigues, que por ocasião da efeméride, estava ausente na preparação do apuramento para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, e que daí resultou mais um sucesso, na sua assinalável longevidade como atleta olímpico, em ter ganho o direito de estar presente, em mais uma edição dos JO. É um feito de inequívoco mérito, de recompensa pela perseverança sem deslumbre, da ambição com humildade, e de uma perspectiva honesta de elegibilidade para um lugar que merece disfrutar, antevendo a devida recompensa, nesta derradeira (?) participação olímpica. O JR7, como tão bem o referenciaram, traduz o exemplo de um astro da modalidade, que mesmo sendo estrela, está sempre disponível para os fins mais nobres como a formação de novos praticantes e é fonte residente de inspiração para todos quantos se interessam pela Vela e pelo Mar.
Por cá, São Lázaro encontra-se na sua fase mais intensa de intervenção, com vista a breve trecho, se assumir como uma infra-estrutura desportiva, capaz de corresponder aos anseios do número crescente de praticantes de Vela, Canoagem e Jet Ski, bem como das modalidades mais recentemente introduzidas, casos do stand up paddle. Os clubes e colectividades que lá desenvolvem a sua actividade, algumas há já umas dezenas de anos, terão finalmente, os meios adequados para desenvolverem o seu plano de actividades, e haverá uma motivação extra em concretizar projectos desportivos, e promover as modalidades, com a infraestrutura a servir de atractivo para a captação de provas nacionais e internacionais, aliando a componente de formação e competição, à promoção de eventos náuticos, com efeito directo na economia local. Acompanho, o entusiasmo de colectividades, que sem passado em São Lázaro, desejam fazer parte do seu futuro, acredito que com o devido enquadramento associativo, inequívoco para, a credibilização dos seus projectos e legitimidade dos seus anseios, poderão dar os primeiros passos nas modalidades de interesse, e no futuro, engrossar as fileiras de praticantes e atletas federados. Fruo uma visão darwinista relativamente a estes fenómenos de ingressos em novas modalidades, sem prejuízo de se sensibilizar, desde cedo a uma responsabilização dos novos players, face à sua prática e logística, e que neste caso, encerram um conjunto de especificidades, próprias de quem “anda” no Mar.
Sérgio Jesus