Metade do masoquista povo português depressa esqueceu os quatro anos do Coelho mentiroso e do submarino Portas. A viver com menos 25% de rendimento, a pagar muito mais pelo que consome e a ver os impostos mais altos de sempre, metade dos portugueses escolheu continuar a ver a dívida pública aumentar (50 mil milhões desde 2011) e arriscou mais cortes em salários e pensões a partir de Janeiro. Está bem, colocaram a esquerda a fiscalizar os exageros de uma dupla mais troikiana que a troika, esquecendo-se que a grande política do BE hoje oferece os préstimos à esquerda, mas amanhã pode ver a oportunidade de entrar no governo e virar à direita, salvo seja, para o lado que o submarino virou. E colocar o imbróglio da decisão de quem forma governo nas mãos de Cavaco, o tal que reflectiu no dia em que se comemora a república da qual deveria ser ele o presidente, não foi o melhor caminho. Vai ser uma legislatura para esquecer, com uma dupla onde há problemas de “fundo” e um primeiro-ministro que exige ao cidadão mais impostos enquanto se esquece dos seus deveres como contribuinte. Todos fizeram a festa da vitória nestas legislativas e com razão. Os que encaixaram mais deputados nas bancadas da AR, os que para lá vão em estreia e até os que ficam à porta. Pudera, quem não tem deputado fica com cerca de 200 mil euros para gastar em cada ano dos próximos quatro, sustentados pelo contribuinte português, a ver se conseguem convencer o eleitorado lá para 2019 (penso que vai ser um bocadinho antes). A coligação vai dividir mais de 5 milhões, o PS mais de quatro, o BE quase dois e a CDU mais de um milhão. Não cheguei a ouvir quanto fica para o PAN. Assim feitas as contas, os portugueses vão pagar as asneiradas de quem governar e as contra-asneiradas da oposição, dando gorjeta ao Marinho e Pinto para ver se ele se decide de uma vez em largar a política e voltar às “bastonadas” à ministra da justiça, era mais excitante. Parece o jogo União/Benfica, onde foram quase todos à bola e ia havendo jogo, mas o nevoeiro não deu tréguas e quem lucrou foi o Alfredo. E a culpa foi do AJJ, armado em D. Sebastião “choupanense” que não olha ao cliente. E enquanto se guerreiam pelos estádios na Madeira com tanto campo por aí sem as medidas regulamentares e alguns ainda não pagos, os Xistras e Paixões vão deitando por terra as ambições europeias das equipas madeirenses. Em vez das pedradas dentro do quintal, preocupem-se com os pavilhões de hóquei em patins com escadas para os balneários, colecções que se compram por milhares e ninguém sabe onde andam nem mesmo a DRAC, secretários regionais preocupados com milhas “navigator” quando não sabem o que é pagar uma viagem aérea. Ele que experimente marcar uma viagem Funchal/Lisboa a 2 e 3 de Janeiro para estudante e depois não receber nem um cêntimo, em vez de brincar às milhas e aos cartões de crédito. Como diria o Luís Miguel França, “não imaginava que isto era assim e nem sei da missa a metade”. Um abraço, Luís, onde quer que estejas. Extensível à família.
Paulo Gomes