“Enquanto não há amanhã, ilumina-me” uma das muitas memórias dos primeiros dias da rádio, feitos de vinil e de sonhos.

No alto da RJM, o Luís Miguel França perguntava-me em directo porque defendia causas aparentemente distantes, quase perdidas.

Naquela tarde de Janeiro de 1992, na longínqua Austrália, um valente grupo de jovens portugueses embarcava no ‘Lusitânia Expresso’ determinado a desafiar poderes e a alertar o mundo para a causa timorense.

Em som de fundo, toca a faixa ‘Timor’, dos Trovante, uma das bandeiras contra a ocupação, naquele caso, indonésia, um dos gritos contra o hediondo massacre no cemitério de Dili, mas sobretudo um apelo a que nos fizéssemos ao mar em nome dos valores essenciais.

Já nesse tempo era nossa convicção que daquela canção brotava um rumo para a vida de cada dia: “Se outros calam, cantemos nós”... Enquanto jornalista e político, o Miguel França fez por não se desviar dessas palavras de ordem.

Deixa-nos por instantes um camarada de luta pela informação, um vicentino orgulhoso dos seus, um conterrâneo de todos os que acreditam haver um Norte em nós. Um dia voltaremos a estar ‘no ar’, “todos juntos”. Até lá, fica em paz, a olhar pelos que amas!