Quem, nesta República, tem em conta os direitos fundamentais dos mais desfavorecidos? Quem escuta o clamor dos excluídos deste mundo? Quem responde por milhões de pessoas indefesas face aos “interesses do mercado divinizado, transformado em regra absoluta” (Francisco, “Evangelii gaudium” 24/11/2013)? Quem responde por tanta gente sacrificada pela desenfreada especulação financeira? Quem acolhe o grito das vítimas dos poderes económicos e dos seus interesses predominantes que arrasam tanta vida e as fonte da vida? Quem garante a protecção dos mais fracos? Quem assume responsabilidades pelos mais pobres, para com aqueles que anseiam por libertação? Quem se compromete com a justa causa daqueles que estão a ser sufocados pelo domínio absoluto da finança? Existem hábitos de injustiça, práticas de exploração e de rapina, benefícios que só a alguns poucos aproveitam, formas de dominação em função do lucro, que são a raiz profunda da desordem. O actual poder económico ou político não considera mudanças de fundo, concentra-se sobretudo em mascarar sintomas. Procura não chegar às raízes da situação actual e, quando muito, presta-se a isolar ou a enfrentar apenas alguns dos sintomas. Urge encetar caminhos novos. O actual sistema de injustiça precisa de uma viragem radical à altura das circunstâncias. O domínio despótico da finança, e a sua perversa ordem requer a tomada de decisões drásticas para inverter a desordem estabelecida. injustiça não é invencível!
Edgar Silva Deputado do PCP na ALM