As anormalidades foram as sondagens diárias, que não são sondagens em lado nenhum Quarenta e um anos depois do pronunciamento militar do 25 de Abril, que nos permitiu a liberdade de expressão e de voto, eis que me cabe, neste dia pós-acto eleitoral a crónica mensal no Diário de Notícias. É uma crónica escrita em cima do joelho, pois a hora de fecho do jornal impõe a entrega do texto a horas, mesmo com a benevolência de mais uma hora concedida pelo director. Vamos a factos. A campanha foi normal. Apenas manchadas por uns democratas ainda imaturos que, de um lado, inventavam imagens a atacar Costa, até com a sua origem étnica, e, de outro, atacavam Passos Coelho com alarvidades sobre a tecnoforma e, até com o aparecimento de sua mulher. Além disso, o normal. As anormalidades foram as sondagens diárias, que não são sondagens em lado nenhum e deviam ser proibidas, por falsearem informação e induzirem em erro os eleitores, e a colagem da maioria da comunicação social a um dos lados da contenda. Neste caso a anormalidade só se deu porque anteriormente era normal aliarem-se ao PS. Há que dizer, com frontalidade, que a comunicação social não foi isenta. Claro que outros factos menores perturbaram a normalidade da campanha, como o programa de entretenimento da TVI, as participações de Marcelo e Marques Mendes na TV e, ao mesmo tempo, na campanha. O Presidente da República foi isento no último discurso. Até então foi dúbio, a determinada altura foi ostensivamente apoiante de um dos lados mas, enfim, cada um tem a dimensão que tem. Convém dizer que sou de centro-direita. Sempre fui. A minha análise é limpa das minhas opções pessoais e, obviamente, profissionais. Ganhou a democracia contra a abstenção. Falhou a Comissão Nacional de Eleições em alguns detalhes e, sobretudo, naquele que respeita à falta de hábito de haver um grande número de portugueses a votar. Os burocratas preocuparam-se mais com a utilização do facebook do que com as coisas sérias. Vamos a quem ganhou e a quem perdeu. A Coligação Portugal à Frente ganhou as eleições. E ganhou Bem. Sobretudo porque tinha tudo para perder por muito. A sua campanha foi melhor conduzida e o PS não conseguiu passar a sua mensagem. O PCP é mais do mesmo. Depois de ficar em quarto lugar, diz que a Coligação PAF é que perdeu. O Bloco teve um grande resultado. O triunfo de uma nova liderança colectiva com uma porta-voz que se afirmou e por deputados de qualidade. E quem formará governo? Em primeira mão, a Coligação. Ganhou as eleições e tem essa obrigação. E Passos Coelho aceita formar governo em minoria? Se o PS, o Bloco de Esquerda e a CDU não viabilizarem o Governo da Coligação, será que Cavaco Silva convida o líder do segundo partido mais votado a formar governo, se ele assegurar apoio parlamentar? E quanto tempo dura um governo minoritário? Em minha opinião durará pelo menos até às eleições presidenciais. Depois, bem, depois já se verá. O País precisa de estabilidade e não me parece que acordos parlamentares com a CDU e ou o Bloco de Esquerda sejam saudáveis. E se o Governo PSD/CDS ficar só e desamparado com minoria no Parlamento. Dependendo de quem seja o próximo presidente da república assim o governo minoritário durará mais ou menos. A democracia cumpriu-se. Os portugueses disseram presente. António Cunha Vaz
As anormalidades foram as sondagens diárias, que não são sondagens em lado nenhum
Quarenta e um anos depois do pronunciamento militar do 25 de Abril, que nos permitiu a liberdade de expressão e de voto, eis que me cabe, neste dia pós-acto eleitoral a crónica mensal no Diário de Notícias. É uma crónica escrita em cima do joelho, pois a hora de fecho do jornal impõe a entrega do texto a horas, mesmo com a benevolência de mais uma hora concedida pelo director. Vamos a factos. A campanha foi normal. Apenas manchadas por uns democratas ainda imaturos que, de um lado, inventavam imagens a atacar Costa, até com a sua origem étnica, e, de outro, atacavam Passos Coelho com alarvidades sobre a tecnoforma e, até com o aparecimento de sua mulher. Além disso, o normal. As anormalidades foram as sondagens diárias, que não são sondagens em lado nenhum e deviam ser proibidas, por falsearem informação e induzirem em erro os eleitores, e a colagem da maioria da comunicação social a um dos lados da contenda. Neste caso a anormalidade só se deu porque anteriormente era normal aliarem-se ao PS. Há que dizer, com frontalidade, que a comunicação social não foi isenta. Claro que outros factos menores perturbaram a normalidade da campanha, como o programa de entretenimento da TVI, as participações de Marcelo e Marques Mendes na TV e, ao mesmo tempo, na campanha. O Presidente da República foi isento no último discurso. Até então foi dúbio, a determinada altura foi ostensivamente apoiante de um dos lados mas, enfim, cada um tem a dimensão que tem. Convém dizer que sou de centro-direita. Sempre fui. A minha análise é limpa das minhas opções pessoais e, obviamente, profissionais. Ganhou a democracia contra a abstenção. Falhou a Comissão Nacional de Eleições em alguns detalhes e, sobretudo, naquele que respeita à falta de hábito de haver um grande número de portugueses a votar. Os burocratas preocuparam-se mais com a utilização do facebook do que com as coisas sérias. Vamos a quem ganhou e a quem perdeu. A Coligação Portugal à Frente ganhou as eleições. E ganhou Bem. Sobretudo porque tinha tudo para perder por muito. A sua campanha foi melhor conduzida e o PS não conseguiu passar a sua mensagem. O PCP é mais do mesmo. Depois de ficar em quarto lugar, diz que a Coligação PAF é que perdeu. O Bloco teve um grande resultado. O triunfo de uma nova liderança colectiva com uma porta-voz que se afirmou e por deputados de qualidade. E quem formará governo? Em primeira mão, a Coligação. Ganhou as eleições e tem essa obrigação. E Passos Coelho aceita formar governo em minoria? Se o PS, o Bloco de Esquerda e a CDU não viabilizarem o Governo da Coligação, será que Cavaco Silva convida o líder do segundo partido mais votado a formar governo, se ele assegurar apoio parlamentar? E quanto tempo dura um governo minoritário? Em minha opinião durará pelo menos até às eleições presidenciais. Depois, bem, depois já se verá. O País precisa de estabilidade e não me parece que acordos parlamentares com a CDU e ou o Bloco de Esquerda sejam saudáveis. E se o Governo PSD/CDS ficar só e desamparado com minoria no Parlamento. Dependendo de quem seja o próximo presidente da república assim o governo minoritário durará mais ou menos. A democracia cumpriu-se. Os portugueses disseram presente.
António Cunha Vaz