Resolvi escrever estas linhas, porque dei comigo a pensar em tudo o que se tem dito nos últimos tempos sobre a PSP. Falo concretamente, do tão desejado reconhecimento da profissão Polícia como uma profissão de risco e desgaste rápido.
Nos tempos de hoje, a ASPP/PSP/M continua a exigir e a impor pelo reconhecimento da profissão Polícia como uma profissão de risco e desgaste rápido, por considerarmos ser uma requisito de justiça, um dever ético e uma jogada de alcance tático.
Para nós, os novos tempos trazem problemas novos, mas não se livram de problemas antigos, daí não compreendermos que, em pleno seculo XXI, esta profissão não seja considerada como uma profissão de risco. E apesar de não ser um tema novo, tem até alguns anos e algumas “barbas”, mas infelizmente subsistem dúvidas e interrogações, até inquietações, agora, ao que parece, também contundentes e cáusticas afirmações, por parte de alguns comentadores de painel de televisão, que pelos vistos também percebem de polícia como se aqui trabalhassem.
E aqui, lamento dizê-lo, mas existe algumas instituições, com o seu aparente desnorte, com as suas alegadas infiltrações, não são exatamente o cartão-de-visita mais recomendável para lhes conferir um poder acrescido de falar da PSP como se fosse uma “casa qualquer”. Por todas estas razões, esta é, repito, uma ideia repugnante e perigosa. (Porque a PSP tem normas internas próprias que ninguém a não ser os policias conhecem e compreendem).
E já agora, um conselho a quem fala e quem escreve sobre a PSP que, é preciso verificar a real situação, é preciso perceber os aspetos do trabalho dos profissionais da PSP frente os imponderáveis riscos da própria profissão em que está em jogo questões como a honra, a determinação, o sacrifício e o próprio medo, principalmente por lidar com situações de perigo.
Sei muito bem que ser Agente da Autoridade (pois já desempenhei funções de Agente, de Chefe e agora de Oficial de Polícia) é uma profissão de risco, risco da sua própria vida. Há, por isso, a necessidade da consagração e o reconhecimento da profissão de Polícia, como uma profissão de risco e de desgaste rápido, é fulcral para todos os homens e mulheres da PSP que vestem uma farda, para a dignidade do seu trabalho e para a garantia da qualidade do socorro e da própria autoridade do Estado que está representada no uniforme.
E para isso é necessário que não se faça tábua rasa do que foi aqui explanado e sobretudo que não haja delírios que nos faça regressar ao passado, porque SER POLÍCIA É VIVER UMA PROFISSÃO DE RISCO.
Não reconhecer esta realidade, não proteger quem protege o cidadão e, não respeitar quem dá segurança, é por em risco toda a sociedade, é tapar o sol com a peneira, varrer o lixo para debaixo do tapete e insistir em não ver a realidade, enfim não é uma visão dos tempos de hoje e é andar para trás.
Adelino Camacho