Ao longo da nossa vida conhecemos pessoas que são exemplos e que ilustram o que de melhor existe na nossa sociedade a nível cívico ou profissional. Vem esta referência a propósito da saída há 5 anos da Madeira (e do nosso hospital) da Dra. Cristina Alves, uma reconhecida jovem médica que granjeou simpatia e reconhecimento entre doentes e colaboradores do Serviço Regional de Saúde. Um exemplo de dedicação, competência e rigor no trabalho, sempre apostada em inovar na forma de tratar os doentes e que nunca esquecia o lado humano da Medicina.
A Dra. Cristina foi investigadora na Universidade de Toronto e é hoje a coordenadora nacional da Sociedade Portuguesa de Ortopedia Pediátrica e trabalha no Hospital Pediátrico de Coimbra, uma unidade de referência para traumatismos e doenças ortopédicas. Foi infelizmente uma das primeiras perdas de um número cada vez crescente de excelentes profissionais, hoje mais de 200 médicos, enfermeiros e outros técnicos do Serviço Regional de Saúde.
A título de exemplo, o seu Serviço na Madeira já contou com 23 médicos, entre especialistas e estagiários e hoje tem 9 especialistas do quadro em exercício efectivo de cuidados assistenciais. E os exemplos continuam em outros serviços.
Pergunto-me, como cidadão e pessoa interessada na saúde regional, o porquê desta sangria que, pela dimensão e características, não tem paralelo em nenhum hospital do país? Mais, são profissionais produtivos e inovadores, a maioria com cerca de 40 anos. E muitos outros que, não saindo da instituição, estão em profunda discordância com as decisões tomadas e com as condições de trabalho, mas vivem em silêncio num doloroso processo desânimo com a degradação dos cuidados.
Dinheiro? Não, as remunerações públicas estão na essência niveladas no país. Existe um motivo que justifica o que se passa na saúde e em outras áreas da governação: o desprezo pela Meritocracia. Ou seja, a falta de reconhecimento pelo mérito de quem tem esmero no trabalho, que cumpre o seu horário, que inova, que sabe ouvir e que mostra humanidade na prestação de cuidados.
As vicissitudes da nossa governação regional fazem com que, com frequência, sejam dadas responsabilidades a quem não tem humanidade para flexibilizar os cuidados em função das necessidades reais, a quem não inova para não criar atritos e, pior, quem gere em função das clientelas partidárias que os nomearam. Uma “cultura de servidão” de quem chefia. Se isto é grave em qualquer serviço público, na saúde tem sido catastrófico.
Não se iludam aqueles que pensam que a “Renovação” chegou à gestão na saúde regional. As saídas de profissionais exemplares vão continuar a acontecer. O Dr. Albuquerque não teve ainda coragem para corrigir o que precisa ser corrigido e será disso que depende o seu futuro político: renovar a forma de governar.
Mário Pereira, Deputado do CDS