No passado dia 25 de setembro, na Organização das Nações Unidas, foram aprovados os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, enquanto compromisso assumido pela maioria dos Estados do Mundo, para com as questões mais importantes para os seus cidadãos, de modo a se tentar construir um mundo mais justo e mais duradouro e com maior consideração pelas determinantes fundamentais relativas à perenidade da espécie humana num planeta que se vem tornando cada vez mais pequeno e limitado nos recursos disponíveis. Os objectivos do desenvolvimento sustentável não são mais do que balizas orientadoras de uma navegação que se deve orientar por princípios e objectivos comuns a toda a humanidade, sem prejuízo para a necessária adaptação a cada situação ou contexto particular, de um determinado país ou região geográfica do globo. Seja onde for ou em que estado de desenvolvimento se encontre determinada sociedade, país, continente ou o planeta inteiro, directa ou indirectamente, os 17 objectivos do desenvolvimento sustentável podem e devem ser usados para motivar o diálogo e concertação em torno de preocupações e valores comuns e abrangentes. Em qualquer lugar deste planeta será sempre importante acabar com a pobreza, garantir o acesso à saúde, o combate à fome, a qualidade na educação, a equidade entre sexos, o acesso a água e saneamento básico, as energias alternativas, o emprego justo e duradouro, a disponibilidade de infraestruturas e inovação, a redução das desigualdades, cidades mais sustentáveis, o consumo responsável, a participação activa contra as alterações climáticas, a protecção da biodiversidade terrestre e marinha, a justiça e a paz e a cooperação em torno destes princípios e objectivos. Entende-se que não será fácil, quer pela falta de determinação política quer pela natureza inovadora e recente do compromisso, implementar, no curto prazo, um sistema que quantifique o grau de ambição pretendido para cada um destes objectivos. Também não será imediata a criação de mecanismos de monitorização e avaliação das tendências, sucessos e insucessos relativos a cada objectivo e, consequentemente, mais difícil conferir algum grau de ponderação diferenciada a cada um deles. Serão necessárias muitas experiências, numa lógica de modelo, para as quais as ilhas surgem como laboratórios de excelência, quer individualmente, pelo que de particular cada uma encerra, quer no geral, porque na sua diversidade permitem análises comparativas e transferência de conhecimento em tempos e modos realistas, ao contrário do que se passa à escala dos países. Não se estranha então o movimento em marcha, animado por grandes potências mundiais, de promoção de redes insulares de cooperação sob a temática do desenvolvimento sustentável, como laboratórios vivos de implementação dos objectivos do desenvolvimento sustentável tal como formulado e aprovado no compromisso recente em sede das Nações Unidas. Mais do que uma experiência é uma oportunidade privilegiada para as ilhas e as suas gentes, de participar num esforço global e, ao mesmo tempo, encontrar soluções concretas e adequadas para a melhoria da qualidade de vida e sustentabilidade dos seus povos.
António Domingos Abreu