Qualquer de nós que ande atento nota que por estes dias a Constituição e a democracia se discutem nos cafés, nas ruas e entre famílias ou amigos. A crise política tem também as suas vantagens; a discussão da vida pública está de regresso.

Muito me alegra perceber que a política enquanto governação do bem comum está por agora a ganhar espaço a tantos outros hábitos de consumo, bastante mais vazios e com que a esmagadora maioria da sociedade por hábito se entretêm. Num certo sentido, não é preciso “perceber” de política para falar dela, dado que a governação da coisa pública depende de nós e só de nós.

O atual momento de indefinição política não é em si positivo, pois o país precisa de se concentrar em fazer crescer a sua Economia e os sinais que o Estado emite devem ser claros e conforme um plano ou orçamento previstos e aprovados. Porém, o atual cenário fez acordar em muitas conversas a consciência de que o futuro do país está, como sempre esteve aliás, na mão dos cidadãos. A ideia de que a classe política é corrupta ou incapaz é algo com que nos devemos corresponsabilizar em vez de apenas criticar. E este é o ponto-chave: tal como aqui escrevi noutras datas, o Estado somos nós.

A nossa consciência costuma estar mais alerta quando soam sinais de alarme, pelo que (ainda que um pouco ingenuamente) acredito que para os próximos tempos nos tornemos mais conhecedores de como funciona a nossa democracia e, no fundo, daquilo que está em causa: o nosso futuro coletivo, assente nas escolhas que fazemos. Só a consciência do que nos rodeia nos torna livres. Não o perceber deixa-nos prisioneiros da sociedade em que acriticamente nos deixamos levar.

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Luís Sena-Lino, Consultor de Marketing e Comunicação