Óscar Teixeira O DN publicou no passado domingo um balanço sobre a metade dos mandatos autárquicos.

Foi ocasião para, no seu balanço, o Presidente da Câmara de Santa Cruz sentir-se feliz com uma alegada realização de mais de 80% das suas promessas. Chegar-se-á ao sonho dos 160% no final do mandato?

Mas lendo a narrativa, verifica-se que estes 80% são tão só uns supostos resultados financeiros, o autocarro da Morena e do Santo, um anúncio de telegestão nas perdas de água e, pasme-se, o apoio de emergência social, objetivo n.º 1, que já estaria realizado pelo não aumento do IMI, mesmo aos não proprietários.

Mas vejamos. Nos resultados financeiros, embora admita que “ainda continuamos em rutura financeira”, alega uma redução do passivo pois teria reduzido a dívida a fornecedores em cerca de 21 milhões de euros mas omite que para tal fez outra dívida de 18 milhões de empréstimos do PAEL, além do aumento de receita do IMI em 2 milhões e do investimento zero.

Sobre o projeto de telegestão da rede de água foi até já afirmado que estava incluído no Orçamento de 2016 com o valor de 900 mil euros. Porém, tudo o que é certo é que esse orçamento apenas contempla 13.922,39€ nas despesas de capital “07030307-Captação e distribuição de água”, e que esse projeto, com “Financiamento Não Definido”, está nas «atividades ou projetos, que serão, alvo de candidaturas aos Fundos Comunitários do denominado “Portugal 2020”», ou seja, no chamado dia de “são nuncas”. Mais se diga que as perdas de água foram de 72% no último trimestre de 2013, passando para 73% neste ano, o que significa um desperdício anual de 1,5 milhões de euros e sem qualquer investimento de melhoria.

Enfim, o que este balanço não diz é que 3 milhões de euros já se perderam nas tubagens da água ou que 3,6 milhões de fundos europeus garantidos para 4 caminhos rurais foram abandonados em 2014 pela Câmara pois não haveria dinheiro para o IVA.

Mas, espanto, já houve 94.800€, mais IVA, para pagar uma auditoria financeira a um advogado, com um relatório final vago e inconcludente de 29 páginas (4 mil euros por página), já houve 216.164€ pagos em avenças ao mesmo advogado, sem quaisquer proveitos conhecidos no contencioso, e ainda haverá 332.510€ para um novo contrato já aprovado para ajuste direto e exclusivo com o mesmo advogado até o final do mandato. Tudo somado, mais IVA, são 830 mil euros (quase um milhão).