O presidente da Confederação do Turismo Português (CTP), Francisco Calheiros, defendeu hoje que devem ser feitos compromissos para "uma solução de governo estável", que "não faça perigar" a permanência de Portugal na União Europeia e no euro.
"Portugal necessita de estabilidade para assegurar a credibilidade externa e manter as condições de recuperação económica e social do país e o exercício de recuperação das contas públicas e a promoção da justiça social", afirmou.
O responsável falava na sessão de encerramento do 27.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, que se realizou num hotel de Évora, promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).
Francisco Calheiros referiu que "a estabilidade faz-se com compromissos", dando como exemplo os acordos feitos pelos parceiros sociais, que "tão importantes foram para a paz social interna e para credibilidade externa de Portugal".
Contudo, assinalou que os compromissos "devem ter como base primordial a defesa do posicionamento em questões que merecem apoio social com maioria qualificada", como a "pertença à Europa e ao euro e a defesa de uma economia de mercado e das liberdades e do desenvolvimento económico com justiça social".
"Neste sentido, defendemos vincadamente a necessidade de se chegar a uma solução de governo estável, mas um governo que não faça perigar todos estes pressupostos", disse.
No seu discurso, o presidente CTP apontou também a necessidade de ser assegurado "um reforço do turismo" na estrutura do novo Governo, que "seja, efetivamente, uma voz com o peso político que o setor há muito exige".
Francisco Calheiros lamentou que, apesar do sucesso da atividade turística no país, as empresas do setor "continuam a evidenciar ainda alguns problemas", nomeadamente em termos de rentabilidade.
"A rentabilidade das empresas versus o número de encargos, a carga fiscal e custos de contexto deixam muito pouca margem de manobra para a sustentabilidade empresarial e para o necessário investimento", disse, concluindo que "se os números parecem fantásticos, a realidade não é bem assim".
O responsável considerou ainda ser necessária uma política laboral mais adaptada às especificidades do setor, menos burocracia para as empresas, e de mais celeridade na administração pública e a eliminação de taxas.
