O longo percurso da mais antiga e prestigiada coletividade desta cidade, a “Banda Municipal de Machico” vive um tempo de comemorações. Porque completa, no dia 1 de Novembro, 119 anos da sua fundação, recordaremos a nobre e incontestável figura da música e de mestre, que foi José da Costa Miranda. Durante várias décadas, desempenhou funções da maior relevância nas Bandas da Região. O Mestre Costa Miranda nos seus 40 anos ao serviço da música ganhou notoriedade e prestígio como compositor, executante e diretor artístico. Foi, sobretudo, um pedagogo, reunindo jovens e adultos, das mais variadas profissões, cativando-os e encaminhando-os para o solfejo e a aprendizagem de um instrumento dando-lhes formação e assim conseguir manter uma filarmónica sempre unida, forte e atuante. Nascido em Machico, de uma família de músicos, o seu pai foi um dos principais fundadores desta coletividade - a sua vocação, cedo se fez despertar no seio familiar - mais tarde como aluno do Capitão Gustavo Coelho, outro vulto da música da Região, continuou a sua aprendizagem com elevado brilho e competência. Os seus assinalados méritos de compositor granjearam-lhe a melhor reputação. Registámos no seu vasto reportório, mais de uma centena de marchas de música popular portuguesa, encontrando-se arquivadas as suas partituras no “Museu Vicentes” no Funchal. No seu brilhante currículo, assumiu a direção artística na “Banda Municipal de Câmara de Lobos” e esteve na origem da “Banda de São Lourenço da Camacha”. Durante o seu desempenho, como responsável da Banda de Machico, rivalizou, no bom sentido, com outras bandas da Região, pelo seu elevado número de executantes, pela qualidade e harmonia das suas atuações. Ao longo destes 119 anos, a “Banda Municipal de Machico” ultrapassou as enormes e graves dificuldades e, ano após ano, construiu o seu grande palmarés e ocupou condignamente, até aos nossos dias, o lugar que merece no contexto musical da cidade de Machico e da Região. A abertura de uma extensão do Conservatório de Música em Machico motivou muitos jovens para o ensino da música .A partir daí a integração na Banda com o apoio dos seus responsáveis e uma superior formação musical valorizou, substancialmente, esta filarmónica. É de reconhecer o contributo positivo das paróquias, com as atuações das Bandas nas festas religiosas. Nos tempos de hoje, com os apoios da Autarquia e do Governo Regional, continuam a desenvolver o seu trabalho e a sobreviver com entusiasmo, sacrifícios, empenho e muita dedicação. O título de filarmónica D.Carlos I concedido pelo rei, durante a sua estadia na Madeira, constituiu um dos marcos mais assinaláveis da sua História, para além de outras honrosas presenças pelas várias freguesias e fora da Região, onde mereceu sempre os maiores elogios e carinho das populações. Nos últimos anos da sua vida “José da Costa Miranda” partilhou os seus sonhos, a sua vida dedicada à música. Desabafou dizendo: “Se mais não fiz, deveu-se à falta de apoios que se fazia notar e ao desinteresse das pessoas responsáveis que não souberam patrocinar a música. Continuem a manter o brio e a qualidade nas suas atuações, que os seus executantes mantenham sempre amor e gosto pela música, honrando e prestigiando sempre a vossa coletividade”. A poucos dias do aniversário da Banda, reconhecemos e prestamos homenagem e gratidão ao louvável e persistente trabalho desta figura da música de Machico, em prol das Bandas, no contributo e orientação de Coros em várias paróquias da Região. A História da Música da Região Autónoma da Madeira,passa também por Machico. E o Mestre José da Costa é esse marco.

Belarmino Rodrigues