Já perto do final da sua vida perguntaram a Winston Churchill, numa entrevista, qual era o segredo da sua longevidade, ao que respondeu, enquanto apreciava o seu charuto: “Nunca fazer desporto”. Churchill, no entanto, tinha outro hobby, a pintura. E foi precisamente por esse facto que Churchill ficou eternamente ligado à nossa ilha. Uma das suas fotos mais mediáticas mostra o antigo primeiro-ministro britânico a pintar a baía de Câmara de Lobos, durante as suas férias, enquanto disfrutava do habitual charuto. Esta foto pode ser encontrada num dos mais importantes museus Londrinos. Tive conhecimento da existência do “madeira cake” em supermercados irlandeses e ingleses. Fiquei surpreendido e a minha primeira reacção foi perceber se se tratava de bolo de mel. Mas não era! Após alguma pesquisa descobri que se tratava de um bolo tipo esponja que costuma ser percebido como originário da Madeira. No entanto, o seu nome provém do Vinho Madeira, cuja popularidade em Inglaterra se mantém há seculos e foi criado pelos ingleses para acompanhar o nosso famoso vinho. Nas minhas viagens pelo Reino Unido e Irlanda, as pessoas revelavam total desconhecimento das histórias por detrás destes factos, mas grande parte conhecia a foto e o bolo. Todavia, não os associavam à ilha da Madeira. Tentei, durante este período, ser uma espécie de embaixador da ilha. No entanto, torna-se difícil vender a nossa ilha se fenómenos espontâneos como estes não são aproveitados e não existe uma estratégia clara para o destino: desde turismo de natureza, de desporto, de sol e praia, de família ou de luxo. Somos de tudo um pouco mas acabamos por não ser reconhecidos internacionalmente por nenhuma característica em particular. Muito sinceramente, e falando por experiência própria, não fica fácil explicar esta desorientação. Algo que até nem me surpreende muito quando sei que, quando o potencial visitante digita www.madeira.com no seu browser encontra o site de uma casa de linhas alemã.
Pedro Nunes Economista