JGF Há muito que a minha zanga pela reabilitação do hospital é observada, porém já não podia deixar passar, pois já é a terceira situação na qual estou envolvida. Para quem não sabe, qualquer pessoa que necessite de alguma reabilitação (fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional), tem de ser encaminhado anteriormente para a Médica de Medicina Física e Reabilitação. Posto isto, há uns anos atrás, surgiu-me um problema nas cordas vocais, ficando afónica a maior parte do tempo devido à minha profissão (professora). Procurei o terapeuta da fala no centro de saúde, a mando do Medico otorrino (que me avaliou as cordas vocais), porém necessitei de esperar pela consulta médica de reabilitação para iniciar o tratamento. Esperei cerca de 7 meses e, quando fui à consulta, falei com a médica, no máximo, 3 minutos, pois notou-se que não percebia nada do assunto (cordas vocais, rouquidão, nódulos...) e, com o seu encaminhamento, comecei a realizar terapia da fala, iniciando com uma avaliação adequada, com muita orientação e intervenção, a qual agradeço à terapeuta da fala. Até aqui tudo bem. Há 3 anos, o meu filho começou com dificuldades de fala e, com receio de que surgissem dificuldades com a entrada para o primeiro ciclo, pedi à médica de família que encaminhasse para a medicina de reabilitação para que fosse feita uma avaliação pela terapia da fala, nem que fosse só para que este técnico pudesse dar alguns conselhos. Esperei 2 anos e 3 meses pela consulta médica, ou seja, o meu filho já estava no 2o ano. Sorte a minha que optei que o meu filho fosse seguido pelo privado, caso contrário mantinha a sua problemática ou, esta tinha se complicado com a aquisição da leitura e escrita. Felizmente, na altura da consulta, o meu filho já não necessitava da terapia. Mais uma má experiência com este serviço que, pelos vistos, funciona pessimamente. Porém, mais recentemente dá-se a gota de água... No mês passado, meu pai foi vítima de um AVC, afetando-lhe a fala, a compreensão e a alimentação (não consegue engolir pois engasga-se), necessitando urgentemente de terapia da fala. Está actualmente internado no Hospital do Marmeleiros e tendo em conta as suas dificuldades, questionei ao médico que estava a seguir o caso como poderíamos fazer para que ele fosse visto por um terapeuta da fala. Qual o meu espanto quando soube que num hospital, cheio de gente com necessidades de comunicação e alimentação, não tem nenhum terapeuta da fala. Ponderam que o meu pai seja transferido para o Atalaia e, qual a minha admiração? Também não tem terapeuta da fala. Não compreendo o que se passa na saúde, mais especificamente neste serviço. Porquê tanta burocracia para chegar à terapia da fala, tendo que passar por consultas médicas de reabilitação se nestas nem se quer é feita qualquer avaliação? Nem se quer ouvem a problemática dos utentes! No meu caso, não teria sido mais eficaz o Otorrino enviar o caso para o terapeuta da fala, visto estes perceberem do tema? No caso do meu filho não faria mais sentido o pediatra enviar o caso para o terapeuta da fala? E, finalmente, no caso do meu pai, não seria importante ter terapeutas da fala nos hospitais? No atalaia? A medicina interna ou a neurologia, não poderiam encaminhar o caso para a terapia da fala? Expliquem-me pois eu não entendo o que se passa com o nosso sistema de saúde. Já se imaginaram sem poderem falar? Sem compreenderem o que os outros dizem? Sem conseguirem engolir água, comida e ter que se alimentar por sonda?