O Museu de Arte Contemporânea do Funchal mudou-se para a Calheta. De acordo com a opinião dos nossos governantes a Calheta é muito distante da centralidade para a existência de um centro de artes e, no entanto, para um museu/depósito este espaço será com certeza um sucesso. Ao longo destes últimos anos tenho vindo a ser muito crítica com o que tem acontecido neste espaço que após um início promissor não só pela ambiciosa programação implementada mas também pela obra arquitetónica, sem dúvida a mais emblemática construída nas últimas décadas no concelho da Calheta tem vindo a desiludir muitos dos que estão ligados às artes e eu como calhetense e madeirense. Este projeto não surgiu por acaso como alguns querem passar a ideia, resultou sim de um intenso trabalho e dedicação no âmbito cultural que levou à existência da atual edificação do Centro da Artes Casa das Mudas por alguém que nasceu e vive para as artes e cujo nome está patente em cada ângulo, vértice e aresta do referido centro. Se até o momento este sonho não conseguiu revelar as suas verdadeiras potencialidades para o qual foi projetado pelo tão premiado arquiteto Paulo David muito se deve à incompetência e compadrio dos nossos governantes que infelizmente nunca souberam dar valor a quem merece e tem competência. Como poderá um museu com esta dimensão se afirmar como instituição pública quando neste momento ainda nem um diretor tem e muito menos um orçamento próprio? No jornal nacional Público no dia dez de outubro de 2015 saiu uma notícia manipulada sobre a reinauguração com o tema “O melhor museu de arte contemporânea portuguesa está na Madeira” fazendo inclusivamente uma breve referência a um concurso público para recrutamento de um diretor. Quem leu com alguma atenção este artigo, deve ter pensado que na nossa ilha não se sabe planificar projetos pois o normal é que antes de inaugurar um museu se deva proceder ao referido concurso. Esperemos que este concurso não seja mais um como aqueles que se realizam nos países do terceiro mundo onde o vencedor já está escolhido à priori. Na região há muitos exemplos de concursos no mínimo estranhos, nos quais a maioria dos políticos acabam por ser coniventes pactuando com tantas injustiças sociais. Recentemente e na sequência da promoção do evento que reduziu um centro de artes a um museu, não só ignoraram a designação completa da instituição: Casa das Mudas como também esqueceram-se de pedir permissão ao autor da obra da qual utilizaram abusivamente a sua fotografia para promover a reinauguração. Após a reclamação do artista Daniel Blaufuks, os cartazes publicitários que foram espalhados pelos vários cantos da ilha foram retirados. Com certeza irão realizar uma nova promoção utilizando imagens de outras obras em que o artista ceda a título gratuito e com a devida vénia os seus direitos de autor. Os artistas também necessitam de se alimentar, vestir e pagar impostos muitas vezes injustos. É surpreendente a falta de educação e de respeito pela sociedade em geral pelo trabalho dos artistas, principalmente quando o erro é cometido por quem nos governa e lida com o mundo da arte. Os erros custam muito caro ao erário público e todos nós descontamos. É estranho que as pessoas que lidam há anos com este tipo de atividade cultural, rodeados por muitos conselheiros, nunca tenham tido a devida atenção aos direitos de autor de um artista plástico. Antevendo o dito sucesso garantido do Centro das Artes Casa das Mudas ao passar de centro a museu, pergunto se este sucesso será benéfico para a população madeirense ou será para uma minoria que detendo cargos culturais há décadas nunca foram suficientemente competentes para concretizar um projeto desta envergadura e que agora sem se levantarem da cadeira afirmam que austentam a direção do melhor museu de arte contemporânea portuguesa na ilha para governar. As Mudas estão muito indignadas com tanta falta de palavras verdadeiras porque a cultura, acima de tudo, é tratar bem e respeitar os outros, principalmente a população local.
Patrícia Sumares