Em Março deste ano quando Mario Draghi lançou o seu programa de Quantitative Easing, esperava estabilizar a inflação e apoiar a recuperação económica da zona euro, desvalorizando a moeda e melhorando as exportações europeias. Alguns meses depois, a economia da zona euro continua estagnada. O crescimento é tímido, o desemprego é muito elevado e voltamos a ter deflação. Os milhões de euros gastos pelo Banco Central Europeu continuam sem chegar à economia real (às pessoas) e isso está a ter consequências importantes na Europa e poderá ter efeitos negativos na Economia Global. O primeiro país a optar pelos programas de Quantitative Easing quase imediatamente após a crise, foi os Estados Unidos, que teve mais sucesso na persecução dos seus objetivos por terem escolhido um timing mais adequado e por terem acompanhado esses programas com medidas pró-crescimento. Os sucessivos programas de estímulo dos Estados Unidos conseguiram conter os níveis de desemprego, no entanto a falta de confiança na economia e as expectativas futuras mantêm a inflação em níveis muito deprimidos, e por isso a FED mantém a taxa de juro de referencia em níveis historicamente baixos. O exemplo de Portugal e de outros países europeus é igualmente peculiar. Ao contrário dos Estados Unidos, a Europa durante os primeiros anos da crise nada se fez para estimular a economia, optando pela austeridade como única solução de um problema muito complexo. O índice de preços do consumidor subiu muito, o que é estranho uma vez que o desemprego também subiu a ritmos nunca antes verificados. Quando a taxa de desemprego inverteu a sua tendência e iniciou a sua descida, ao contrario do que se poderia esperar, os preços começaram também a cair. Isto aconteceu porque as medidas tomadas para afrontar a crise na Europa foram desapropriadas, tardias e em nada contribuíram para o aumento da confiança dos consumidores e investidores. Esta reação pouco intuitiva nos indicadores económicos são resultado de programas de estímulo tardios e debilmente apoiados por medidas que melhorassem a transmissão da politica monetária ás condições do mercado de crédito e fez com que o sistema bancário conservasse os principais problemas de capital que originaram a crise financeira. Neste momento, enquanto a Europa tenta resolver os problemas do sistema bancário é fundamental que os países com alguma folga orçamental sejam capazes de fazer mais pelo crescimento. Mas o que de facto tem acontecido um pouco por toda a Europa, incluindo Portugal, foram os inevitáveis cortes da despesa pública acompanhados dos menos necessários aumentos de impostos. Isto afastou o investimento e aumentou o desemprego, dificultando ainda mais a consolidação orçamental. Seja qual for o governo resultante das atuais eleições, Portugal tem de traçar um orçamento mais favorável ao crescimento. É inegável que Portugal deve cumprir os seus compromissos ao abrigo do Pacto de Estabilidade e Crescimento, mas devem-no fazer pela via do crescimento económico com mais competitividade, mais emprego e menos impostos, uma vez que a via da redução da despesa já está esgotada e não é capaz de inverter o ciclo atual.

Luís Pedro Branco Gestor Financeiro