A cópia fica sempre aquém do original. Nem que seja por uma estar destinada a perder-se na sombra da outra. Os estudantes de arte copiam, como forma de aprendizagem. Os tipógrafos copiam e assim ganham a sua vida. Os falsificadores de arte copiam e escondem que o fazem. Para estas eleições, o Partido Socialista copiou e propõe-se a repetir o modelo de governação de José Sócrates – e quer esconder esse facto dos portugueses. Foi esse o primeiro erro dos socialistas, convenceram-se de que bastaria apontar o dedo à “troika”, à austeridade, ao governo, à direita, a Passos Coelho e esqueceram-se que Portugal ainda sofre com a bancarrota de 2011 e que, por isso, a governação de Sócrates continua em julgamento. Mas voltemos ao programa do Partido Socialista. Para os desempregados o PS promete a criação de 207 mil empregos, o mesmo partido que em 2005 prometeu (e não conseguiu) gerar 150 mil. Para a economia, o PS assenta a sua proposta no aumento do consumo interno, à custa do orçamento do Estado, o mesmo modelo que em 2011 levou ao descalabro das finanças públicas. Para a Segurança Social, o PS propõe uma descida significativa das contribuições, com vista a reduzir os custos do trabalho, o mesmo partido que em 2007 reformou a Segurança Social, com os resultados que hoje conhecemos. Por outro lado, para a Madeira o PS reserva pouco ou quase nada. Um candidato virtual (já alguém ouviu Luís Vilhena falar?), nenhuma referência escrita ao novo hospital ou sequer à necessidade de um sistema fiscal próprio. Aliás, o cuidado que António Costa tem com a Madeira denuncia-se no número de vezes que a refere no seu programa – 2 vezes, em 92 páginas. São estas as “contas feitas” do Partido Socialista, todas as soluções, fáceis, para tantos problemas, difíceis.
João Paulo Marques Advogado