Desde o final de 2011, que muitos portugueses pareciam ansiar por novas eleições, com os cortes a doer que Passos e Portas prometeram não fazer, depois de Sócrates os ter iniciado, PEC após PEC. Em 2012, os portugueses mobilizaram-se numerosos nas ruas, em profusas arruadas, em torno da famosa questão da TSU, que ditou o recuo governamental, numa manifestação histórica, como já não havia memória desde que a democracia desabrochou após a capitulação do velho regime. Em 2013 acentuou-se o “enorme aumentos de impostos” de Gaspar que entretanto já trabalha para o FMI, e por fim, a cisão prematuramente irrevogável de Portas, a que Cavaco uma vez mais amparou a governação. O partido líder da oposição nacional - o PS - pela mão pouco segura de António José Seguro, também de alguma forma, foi segurando o governo da coligação, com a sua conhecida abstenção violenta, que é como quem diz, deixar estes sujarem primeiro as mãos, pois é sempre bom ter um voluntarioso São João Baptista que prepare o caminho, a desbravar silvado, enquanto o PS assobiava para o lado, fingindo não ver. Hoje, depois de conhecida a história dos factos, o PS fragilizado nas intenções de voto, sem conseguir capitalizar o voto útil dos descontentes, e a coligação da direita distancia-se a seu belo prazer, algo que parecia surreal há um ano atrás. Não sei se esta situação se deva a mais mérito duns, ou a demérito de outros. Mas há uma coisa que os portugueses pressentem, tanto mais, que muito provavelmente ninguém vencerá com uma maioria confortável: as propostas de uns e de outros pouco diferem nas questões essenciais, nomeadamente nas temáticas europeias, onde se concentram as decisões basilares com reflexo directo nas nossa vidas. Além do mais a “lição grega” da insubordinação, teve o resultado que todos conhecemos. Ou seja, a austeridade grega, apenas mudou de mãos. Um pouco à distância, li que na Madeira o líder do PS local, no compreensível fervor que os jantares-comício proporcionam, (em que um espelho-mágico nos reflecte bem maiores do que parecemos na realidade), exortou a que os pequenos partidos “não se intrometam” na luta, pois só os socialistas estão “em condições” de “por na rua” a coligação. Num tom paternalista até reconheceu o “carinho pelas propostas” dos pequenos partidos, mas mesmo assim, parece os querer chutar para a beira do caminho. O amigo Carlos Pereira recordar-se-á ainda, em que condições foi eleito em Março, sob o selo de garantia da “Mudança” que elegeu meia dúzia de deputados dum universo de quatro partidos, ou de quanto valerá eleitoralmente o seu escaqueirado PS na Madeira, para que em bicos de pés se queira esgueirar sobre os tais “pequenos partidos”? Fica o meu “carinho” pelo fervor de todos. Se as sondagens fossem a votos, jamais votaria nelas, pois há quem afiance, que algumas delas parecem ter um daqueles “kits” da VW...

Donato Macedo Lic. em Comunicação