A força da monotonia instalou-se durante anos no panorama político madeirense, apenas com alguns laivos, interruptores desta corrente a serem dignos de registo.

Foram quase 40 anos monocrómicos sempre em tons de laranja. O fim dos ciclos concelhios afastou ainda mais os partidos dos eleitores. Passaram a ser praticamente sempre as mesmas caras a representarem cada partido. E quando não eram, vinham confirmadamente da mesma cesta de ovos. Nos últimos anos, surgiram duas pessoas se destacaram de todo um elenco partidário monocórdico, ambas pela coragem - Miguel Albuquerque e Rui Barreto. E se é verdade que as palavras se esquecem facilmente, é mais verdade que as acções corajosas e os sentimentos que estas nos provocam são inesquecíveis.

Miguel Albuquerque ousou enfrentar 40 anos de “jardinismo” e Rui Barreto ousou ser o único deputado do lado do governo a votar contra um orçamento que, em consciência, ninguém aprovaria. Foi coerente e votou contra o orçamento, ao lado de todas as pessoas duma região duplamente fustigada com medidas de recuperação financeira. São por isso, para o povo madeirense, inesquecíveis e depositários da esperança de toda uma região, num futuro com políticos mais pessoas “como todos nós”, fora de bolhas e redomas, que transmitem coragem e a força que muitas vezes nos falta no dia a dia.

Ao presidente do governo regional, cabe-lhe uma missão hercúlea - recuperar financeiramente a região e livrar o partido da carga sentimental negativa que tem vindo a acumular principalmente e especialmente ao longo dos últimos anos, quer devido a investimentos públicos em obras que se revelaram supérfulas, quer pela revelação da dívida paralela dita escondida e que nos traz há anos nesse tal duplo esforço, com perda de direitos plenamente justificados pela necessidade da continuidade territorial, pelo aumento efectivo de impostos e redução de isenções e benefícios fiscais, congelamento de carreiras e salários e ao consequente aumento do desemprego que leva a uma fuga da nossa população mais jovem.

A sua avaliação será feita pelo tempo, pela sua acção e capacidade de ser objectivo e pela oposição parlamentar representada na Assembleia Regional e que representa a vontade do povo madeirense. Chegou a altura de Rui Barreto entrar nesta equação. Na altura que a Madeira mais precisa e na altura que o CDS/PP-M mais precisa também. É sem dúvida uma mais valia no parlamento regional e sê-lo-á também absolutamente, no seio do partido que representa. Cabe aos militantes confiarem que chegou essa altura. Que está pronto para assumir esse desafio. Prevejo uma nova (a recorrente) descida do PS no futuro próximo até porque António Costa não tem uma solução com consistência suficiente para estar a travar este braço de ferro por muito mais tempo. Com ele, arrastará para o novo recomeço, parte do partido e parte dos eleitores que nele acreditaram. Isto afectará com certeza também o PS regional. O CDS/PP-M tem que preparar-se para este desafio. Tem uma oportunidade, a curto-prazo, de voltar a ser a alternativa e a impôr e solidificar o lugar de maior partido da oposição e criar uma alternativa consistente ao governo agora em funções. Será em 2019 a princípio. Não falta tanto tempo assim, até porque o CDS/PP-M tem que se refazer do último desire eleitoral, se reorganizar e mostrar a todos os madeirenses que está no terreno, refeito, disponível, convicto e com vontade de ultrapassar todos os obstáculos para oferecer a todos os madeirenses uma alternativa para o futuro que parece ficar cada vez mais afunilado. Os tempos são outros, os actores são outros, as conjunturas são outras. O CDS/PP-M tem em si a resposta. Mesmo fora do partido todos o reconhecem. Será um erro nós não o fazermos.

Nuno Drummond