O Funchal tem o dever de organizar uma Feira do livro digna de uma capital europeia, assente numa perspetiva de investimento e não como mais uma despesa. A atual Feira do Livro da Cidade do Funchal deixa transparecer a ideia de que se realiza por força de um hábito e não pela importância que representa ao nível da formação cultural e literária dos cidadãos.

A nossa Cidade oferece excelentes condições, em termos de espaços, dinâmica comercial, beleza e centralidade, para se organizar uma Festa do livro de referência, no entanto, ter condições não é suficiente, pois, é vital também haver sensibilidade, vontade e visão estratégica por parte dos principais responsáveis. Aliás, a Feira possui potencialidades para se transformar em mais uma âncora de promoção da nossa Cidade e das nossas gentes, basta, em conjunto com outros setores das forças vivas da sociedade, saber criar, à sua volta, uma movida cultural de qualidade.

Em primeiro lugar, torna-se urgente repensar as datas. O mês de setembro não é o período mais adequado, porque se, por um lado, as escolas ainda estão numa fase de reorganização, por outro, as famílias, neste mês, assumiram enormes custos com os manuais, material escolar e outros gastos relacionados com o início do ano letivo dos filhos.

Além de se sentir uma falta de animação em toda a Feira, o espaço infanto-juvenil deverá recuperar a nobreza de outrora, seja ao nível da dimensão do espaço, seja no âmbito da diversidade de materiais disponibilizados para as atividades dirigidas aos mais novos.

Um evento relacionado com o mundo dos livros, da leitura e dos escritores, a par do apoio das editoras, deverá encontrar, nas escolas e noutras instituições de ensino e formação, os principais parceiros, mas torna-se escasso limitar-se apenas a convidá-los a divulgarem o programa, a visitarem os stands, a assistirem aos espetáculos musicais e às conferências. É necessário ir ao encontro, comprometer, ouvir as suas opiniões e propor ideias de forma a envolver também os alunos, os professores e, inclusive, os pais.

Rui Caetano