Em 1992, a ONU instituiu, o dia de hoje, como Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Passadas mais de duas décadas, há mais seres humanos a viver em situação de carência extrema e todos os dias aumentam os que se aproximam no seu limiar. Na origem desta realidade está um modelo de sociedade e de economia assente sobre o lucro, a competitividade, a violência e o desprezo pelo outro e pelo que é bem-comum. O modelo ideológico que tomou o poder na Europa impõe que se promova a desigualdade social para que os desfavorecidos sirvam os interesses dos poderosos. Numa exemplar manobra de dominação mental chamaram ao seu programa ideológico “política de austeridade” fazendo recair a culpa do corte ditatorial dos direitos e garantias democráticos sobre as próprias vítimas. Os indicadores de qualidade de vida mostram que a pobreza toca hoje todos os que vivem do rendimento do trabalho, em particular e de forma dramática, os mais frágeis socialmente, as crianças e os idosos. Gerações imoladas por uma política que serve exclusivamente os grandes interesses financeiros das empresas transnacionais e que hipoteca o futuro entregando os dividendos do bem-comum, à cobiça dos privados. O Papa Francisco põe o dedo na ferida: “Se cada acção tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade contém sempre um potencial de dissolução e de morte. É o mal cristalizado nas estruturas sociais injustas, a partir do qual não podemos esperar um futuro melhor.” (A Alegria do Evangelho,2013). Há uma fonte, aparentemente inesgotável, de sofrimento humano e de depredação da Terra que consolida o sistema capitalista sobre a injustiça e a violência. A pobreza é o seu principal pilar e, se não retirarmos o poder das mãos dos que cumprem com eficácia a ideologia da austeridade, ela continuará a crescer como o tumor do mal. Termino com as palavras de Edgar Silva no seu texto de opinião neste jornal: “Urge encetar caminhos novos. O actual sistema de injustiça precisa de uma viragem radical à altura das circunstâncias. O domínio despótico da finança, e a sua perversa ordem requer a tomada de decisões drásticas para inverter a desordem estabelecida.”(Edgar Silva, DN-Madeira,7/10/2015)

Isabel Cardoso