Muitos dos meus amigos e colegas são motoristas de autocarro. São pessoas pelas quais nutro a maior simpatia e respeito. Afinal, todos os dias têm na mão, não apenas a minha vida, mas a vida das pessoas para quem trabalho. São profissionais capazes, esforçados, cooperantes. Mas penso que a sua maior virtude deve ser a paciência. A paciência de repetir, semana após semana, percursos mais que repetidos, de ouvir histórias mais que ouvidas, de aturar pessoas e colegas, de estar sistematicamente envolvidos por transito, e por pessoas a quem incomodam aqueles veículos grandes e aparentemente desajeitados que eles conduzem. Custa-me por isso ver que tantas vezes tornam as suas vidas mais complicadas que o necessário. Estou a lembrar-me do agente da PSP que decidiu, à frente da casa de Miguel Albuquerque, numa doca de autocarros de turismo, que esperar mais dois ou três minutos pelos clientes que faltavam era impensável, e que para fazer cumprir o seu capricho não hesitou em fazer uma cena à frente de quarenta pessoas. Estou a lembrar-me do condutor, já meio tocado, que a descer a Eira do Serrado se recusou a recuar uns metros para facilitar o cruzamento de dois autocarros. Estou a lembrar-me de todas as pessoas, que todos os dias, ocupam as poucas docas existentes na cidade com automóveis – porque obviamente o parque de estacionamento, a cem metros de distância, fica demasiado longe, e “são só uns minutos”. A todas estas pessoas, peço apenas que pensem. Que pensem no que gostariam que fosse o comportamento dos outros se fossem vocês a conduzir um autocarro. Ou a gerir a recolha de quarenta ou cinquenta pessoas. Peço-lhes que pensem. E que ajam em conformidade. [email protected]
Roberto Loja