Temos assistido de há uns meses a esta parte a várias manifestações de taxistas (a última no próprio dia de encerramento da campanha das legislativas) contra um negócio que consideram estar a prejudicá-los porque os «uberistas» não pagam os mesmos impostos, e outros encargos que os afectam, lançando a sua Associação (ANTRAL) numa luta ingloria, a meu ver, para ilegalizar a sua actividade, por meios mais ou menos coercivos. A mesma atitude têm tido os taxistas de Paris, Londres e algumas outras cidades europeias, mas o negócio continua,lá como cá. Em S.Francisco, onde a empresa nasceu, a UBER enfrenta um processo desde Junho passado com o Californian Labour Commissioner que tenta defender que a empresa deve 4152 dólares a uma antiga condutora que meteu uma acção contra a UBER no intuito de equipará-la a uma empregada por conta de outrem e assim criar jurisprudência que «condicione» o futuro da empresa ao que esta contesta alegando que se trata de um negócio por conta própria até porque os veículos são disponibilizados pelo próprio condutor e nunca pela UBER. Claro que o negócio seria outro se a UBER tivesse que pagar salários e a segurança social dos condutores. A UBER diz apenas que angaria o condutor e estabelece as regras do negócio através da sua aplicação dedicada. A verdade é que enquanto «o pau vai e vem, folgam as costas» e o negócio prospera a tal ponto que já opera a nível global em 300 cidades e o seu valor está estimado em 40 biliões de dólares por uns analistas e 51 biliões de dólares, por outros. Não será por acaso… A sua defesa jurídica invoca que a UBER é essencialmente uma empresa de marketing que proporciona uma plataforma digital entre compradores e vendedores de transporte urbano que interessa às duas partes já que são os interessados que conduzem os seus carros e estabelecem o seu próprio horário de trabalho. Mas, o que faz o sucesso deste modelo de negócio? Em primeiro lugar, uma aplicação em smartphone que fornece um serviço de qualidade numa plataforma «friendly» para esta nova geração de consumidores que funcionam muito com aplicações em telemóvel. Em segundo lugar, porque tem vantagens óbvias em relação ao modelo tradicional, a saber: -O cliente indica o ponto de origem e de destino e a aplicação dá-lhe o nome e a foto do condutor, o percurso que vai tomar e a estimativa do custo da corrida. -O veículo está impecavelmente limpo. -O condutor sai do carro quando chega ao cliente, abre-lhe a porta, ajuda-o com a bagagem, se for o caso, e ainda lhe pergunta se quer água, que normalmente tem á sua disposição. -Se tiver malas, ele próprio as coloca na bagageira e não paga mais por isso. -Não há gorjetas porque o cliente não paga ao condutor mas no final do mês através da conta-corrente que tem com a UBER. -O serviço não é necessariamente mais caro e até por vezes é mais favorável. -Maior segurança porque, quer o cliente, quer a UBER, acompanham com um GPS o trajecto efectuado pelo condutor devidamente identificado dissuadindo-o de atitudes menos próprias. -Acresce que, o cliente tem a possibilidade de dar uma pontuação (de 1 a 5) pelo serviço prestado e comunicar à UBER, que tomará isso em conta podendo inclusive passar pela expulsão do condutor da organização se o volume de queixas justificar a penalização, o que normalmente garante o cumprimento das normas estipuladas, em geral em favor do cliente. Quem não adere facilmente a este serviço com mais-valias evidentes para o cliente? Eu próprio estive em Londres onde fui visitar a minha filha e testei o serviço porque ela, tal como os seus colegas, só usam esta modalidade quando necessitam de deslocar-se na cidade onde, aliás, os taxistas acabaram por perceber que perderiam a «guerra» e começaram a procurar competir com soluções próprias, abandonando a via do confronto. Compare-se com os táxis de Lisboa desde logo em termos de produto, quantas vezes a operar com veículos velhos, desconfortáveis (estofos), com falta de limpeza e sem ar condicionado nos dias quentes de Verão, para além dos abusos que se cometem, em particular nos Aeroportos, em termos de tarifa preaticada, sobretudo a turistas, a que acresce o mau humor do taxista se o percurso for curto. Assim, em vez de se acolherem numa protecção legal perante uma concorrência inevitável (independentemente de poder vir a haver uma regulamentação inovadora que não ponha em causa este modelo de negócio que os clientes valorizam) porque não procuram os taxistas perceber porque a UBER tem tanto sucesso e tentarem competir em conformidade tal como fizeram os taxistas alemães impedindo a UBER de vingar com igual sucesso? O que é importante reter desta temática é que este serviço agrada a uns (os condutores) e a outros (os clientes) a tal ponto que o número de condutores duplica a cada seis meses, sugerindo que as leis sobre o trabalho, tanto na América como na Europa, devem adaptar-se a estas novas realidades, potenciando-as, em vez de as afogarem com leis e regulamentos que só prejudicam um negócio que também interessa ao Estado porque dá ocupação aos implicados (menos desemprego) e cria riqueza. É a geração do «smarphone» a tomar as rédeas da nova economia!

Nuno Jardim Fernandes Gestor