As habitações usadas historicamente sempre tiveram um peso superior na transacção de imóveis. Contudo nos últimos anos devido à crise esta situação acentuou-se. Os dados recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, em cada 10 casas vendidas, apenas duas são novas, menos uma do que antes da chegada da Troika ao país em meados de 2011. A grande maioria dos imóveis vendidos são já existentes. Os dados do INE demonstram que, no segundo trimestre cerca de 80% das casas vendidas eram usadas. Isto significa que o peso das habitações novas nos imóveis vendidos é de apenas 20%. No segundo trimestre deste ano foram realizadas 24.512 transacções de imóveis. Verificou-se um incremento de 25% em relação ao mesmo período de 2014, segundo o INE. Com estes dados a construção e a mediação estão cada vez mais confiantes na recuperação do mercado, sobretudo com a crescente entrada de investimento estrangeiro em imobiliário português. Este optimismo do sector tem sido bastante impulsionado pela entrada de investimento estrangeiro em Portugal, apesar do congelamento temporário na atribuição de vistos gold, que entretanto já foram desbloqueados. Os últimos meses têm sido marcados pela recuperação do mercado imobiliário, com os bancos a emprestarem mais dinheiro para a compra de casa. Entre Janeiro e Julho, foram concedidos mais de 2 Mil Milhões de euros para este fim, um máximo de 2011. Ao mesmo tempo os “Spreads” têm vindo a descer e a ser reduzidos, facto que tem feito aumentar os preços das casas. O índice de preços da habitação cresceu 3,7% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, o maior avanço desde que o INE começou a publicar estes dados no início de 2009. Os Portugueses estão novamente a correr ao crédito bancário, e o mês de Julho foi o melhor mês em vários anos. Há cada vez mais vozes a avisar que podemos estar a voltar aos excessos do passado. E é legitima esta análise visto que as taxas de juros caíram a pique nos últimos tempos, o que, a juntar ao reforço da confiança associada à recuperação da economia e à diminuição do desemprego, cria aqui um caldo quase perfeito para que muitas famílias voltassem a comprar casas, mas também outros bens duradouros, com destaque para os carros. A taxa média dos novos contractos de crédito habitação caiu para 2,25% em Julho, segundo os últimos dados do banco de Portugal. No final do ano passado estava em 3%, esta descida de 0,75 pontos percentuais corresponde a uma redução de 25% na taxa que foi a maior entre os países da zona euro nos primeiros sete meses deste ano. A procura interna tem sido, nos últimos meses, o motor do crescimento. Já em 2014, teve um contributo positivo para o crescimento do PIB, que fechou com um aumento de 0,9%. Neste primeiro semestre este aumento da procura interna, ajudou uma vez mais ao crescimento do PIB e a conseguirmos um crescimento de 1,5%.

Fábio Bastos Economista