Somos cada vez menos, mas imensamente disponíveis para dar corpo a uma solução para o País.

Somos pacifistas. Armas só se for para usar em caçadas alentejanas. E mesmo quando recorremos às fisgas é para avisar discretamente a vizinhança que há melro à solta nas redondezas!

Somos solidários. Emprestamos dinheiro ao Estado durante 60 dias sem cobrar juros. Oferecemos bens públicos a privados de mão beijada. Subsidiamos a preguiça e os caprichos.

Somos tolerantes. O maior patife político, por muito mal colectivo que faça, nunca irá preso. O plagiador será sempre confundido com inventor de parcos recursos. Já quem na sua dura profissão comete um erro, por muito insignificante que seja, corre risco de ser linchado nas redes sociais.

Somos gente brava, mais ‘valium’ do que ‘valley’, é certo, mas sempre pronta para a utopia. Já fomos, em alucinações, a Singapura do Atlântico, até temos um M-ITI que gera uma ciumeira medonha e escondemos dívida para que um dia as e-facturas tivessem razão de existir.

Somos bons. Temos um invejável ‘dream team’ de internacionais: Cristiano Ronaldo. Fátima Lopes. Nini Andrade. João Rodrigues. Paulo David. Dionísio Pestana. João Baptista. Avelino Farinha. Liliana Rodrigues. Cláudia Aguiar. Mas quem vai à baliza? Rodrigues, o 'ecoman'? Dava estrondo! Edgar Silva? Não. Sempre foi avançado e a melhor defesa, mesmo nas Presidenciais, continuará a ser o ataque. Jardim... Gonçalves? Jamais. Já nem ao banco vai. Ireneu Barreto? Difícil. Faltam-lhe poderes que Cavaco bem tenta reforçar. José Manuel? Nunca. Só teve 23 votos em Gaula. Coelhos da casa não fazem a Páscoa. Carlos Costa? Não pode. Está na ‘Quinta’. Paulino Ascenção? É prematuro. Convém aquecer antes de entrar…

Somos produto de terra fértil em candidatos e em camaleões. Davam para formar Governo imediato. Na Grécia em menos dois dias os vencedores tomam posse e demitem-se. Por cá, apesar dos tiques de Syriza, ninguém é capaz de mostrar quem manda, como se a economia crescesse acima dos 10%, a bolsa atingisse recordes e os crânios exportados voltassem de repente.

Temos mau feitio e a reles mania de, para dizer bem de uns, ter que enxovalhar outros. Mas, gente assim é ministeriável. De que é que o País está à espera?